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Cabeças Pensantes atentem e vigiem-Os desencontros-   Leave a comment

  
 
             Foto-Heitor            Cabeças Pensantes atentem e vigiem
 
                                                         Os desencontros
 

-Justine, eu imagino ser possível, se ficarmos falando sobre esse assunto, amanhecer, ainda assim, você não terá terminado a relação, o demonstrativo do seu poder econômico.

-Querido para sua informação, talvez um ano levasse para listá-los. Porém, não é sobre isso que estou falando. Quando mencionei, destaquei alguns valores, fi-lo com a intenção de mostrar-lhe que a falta de poder econômico em relação à manutenção da nossa causa, da nossa luta, não existe e, não será motivo para que provoque uma desistência. Muito pelo contrário; é mais fácil um motivo fútil, nos afastar dos nossos objetivos, do que faltar recursos para levarmos os nossos sonhos em frente. Quanto ao paradoxo, não é preciso falar sobre ele agora; enquanto eu existir, sonhar e, puder alimentar esses sonhos. Então querido, para que você finalmente aquiete seu espírito, eu a partir desse momento coloco-me a seu comando, ouvirei atentamente suas observações, acatarei as correções, discutiremos qual estratégia iremos adotar, não importando o quanto isso nos custará financeiramente, quero também dizer-lhe nesse momento, que LHE AMO, AMO MUITO! Sempre lhe amei. Eu preciso muito de você! Farei qualquer coisa para lhe fazer feliz. Não haverá mais desencontros em nossas vidas.

-Justine, houve uma fase em minha vida que tudo faria o permitido a um mortal, para dizer-lhe algo parecido. Mas, antes da chegada daquele esperado momento, um instante me revelou espantoso fato, que provocou um efeito devastador na minha ilusão, nos meus sentimentos. Só depois de um longo espaço de tempo, consegui através dos inúmeros desencontros a cicatrização desses ferimentos.

 

-Querido, sempre alimentei o meu imaginário afetivo com sua soberana imagem. A cada fase da minha existência, o meu amor por você vivia ao sabor da quimera. Não haveria lugar e não poderia existir nada que pudesse provocar qualquer mal a você por meu intermédio. Eu sempre lhe amei.

-Justine, você se lembra do seu aniversário comemorado na igreja santa Quiropita onde na ocasião você festejava seus dezoito anos? Quando involuntariamente surpreendi você e a Heleninha osculando intensamente naquele corredor que liga a sacristia ao adro?

-Querido! Nós éramos jovens, vivíamos em uma época ainda não permissível, liberal. A busca da revelação do oculto, o gosto do fruto proibido que sacuda, afligia nossos sentimentos, os nossos desejos, a nossa libido. Não houve nenhum outro tipo de relacionamento entre eu e, a Heleninha, apenas o da procura, do prazer, da felicidade, da conquista e da perda.

-Justine, na minha família-somente em caso de muita consideração, – poderíamos entender esse comportamento, como -fruto de um desajuste comportamental social-. Na nossa época os principais códigos -da moral e da ética- que regiam os procedimentos sociais não aprovariam esse tipo de conduta. Eu como filho homem, único na família, vivia dentro desse universo da moral e da decência. Simples palavras me acompanham desde criança; bom-dia, boa-tarde, boa-noite, como vai o senhor, a família como tem passado? Dá licença, agradecido, por favor. Aprendi também que deveria ajudar uma pessoa de idade atravessar a rua. Devia tomar benção ao pai e a mãe, a tia o tio, a madrinha o padrinho. Aos padres devia, porém, evitava. Aprendi em casa com os meus pais a praticar as boas ações e, aperfeiçoei este aprendizado no escotismo, onde ingressei aos nove anos.

As atividades desenvolvidas pelo grupo, – passeios, acampamentos, atividades filantrópicas, esportivas, – revelavam a mim como entender e, resolver situações, ser solidário. Percebi que a minha individualidade continuava existindo, mesmo que fizesse parte de um grupo, onde o respeito a ela, em todo tempo era uma realidade. Assim, a minha formação, sempre em processo de evolução mantivesse-se fiel a esses princípios. Então, você a de compreender qual a intensidade do choque em mim, naquele momento provocou o fato.

-Querido; perdoe-me pelo mal que involuntariamente lhe causei. Foi um fato isolado, de ato único. Agora eu compreendo porque você ficou algum tempo, – acho que dois anos, – sem falar comigo. Eu penso que esse incidente, já se perdeu no tempo e no espaço. O importante é agora não haver mais desencontros, nada que nos afaste um do outro.     Querido, você sabe qual é o meu desejo neste mágico momento de encantamento?

-Espero que não seja nada que você não possa satisfazer.

-Eu tenho vontade de interromper por instantes o som desse maravilhoso sexteto e, revelar no microfone para os nossos convidados e amigos presentes, o nosso amor, o nosso noivado.

-Justine, não fique magoada, mas o momento não é oportuno. Como lhe disse antes, eu estou precisando reformular analisar a minha vida, a participação neste confuso processo.

 

Para mim também é muito importante que você entenda que o meu amor, os melhores sentimentos, sempre foram dedicados a você. Estou neste momento menos infeliz, muito vaidoso, saber que tenho o amor, carinho, atenção de uma mulher poderosa, cobiçada e, desejada pelos senhores donos de poderes. Porém, eu não estou preparado para viver essa ocasião própria agora. Justine, eu não quero amar você só pela emoção e, o meu racional está perturbado, ocupado por encontrar uma solução que venha nos ajudar vencer as batalhas que iremos travar com os nossos inimigos.

Eu gostaria de propor a você meu querido amor; logo após o seu regresso, discutiremos um plano que eu estou elaborando, então, poderemos convidar o embaixador Alfredo e, o nosso adido militar, general Adalberto e, submeter a eles as nossas sugestões.

-Querido; como lhe disse anteriormente, eu estou sob seu comando, entretanto, gostaria de saber a sua opinião, no caso de adiar a minha ida a Argélia. Acredito que o Gedenilson não irá se importar em esperar por mais uns dias. Eu pensei agora oferecer a ele algo mais que o encontro, e você é que terá de avaliar, decidir. Eu pretendo entrar em contato com o meu amigo, embaixador francês Gui Lafond, que está à frente da representação diplomática francesa há seis anos na Argélia, – foi ele que me ajudou conseguir o asilo da Heleninha, – pedindo-lhe que veja a possibilidade de solicitar ao seu amigo particular de longa data, o xeque Abdula Homar Salebe Sued, tornar possível a uma amiga brasileira, asilada em seu país, obter um salvo conduto que propicie a está cidadã, ausentar-se por breve período de sua tutela, para tratar da documentação que lhe permitirá contrair núpcias na cidade de Loire, sul da França, sob a responsabilidade do embaixador Gui Lafond.

-Justine, você acha isso possível?

-Por que não querido? Isso só não acontece quando as pessoas envolvidas são comuns, ou “pequenas”.                                  Como agradecimento e reconhecimento a tão significativo gesto de boa vontade e amizade, eu farei uma apresentação de toda coleção outono-inverno, para o querido xeque Homar Salebe Sued, em um dos seus palácios, com a presença de todas as modelos contratadas da Maison Zoom Santé. Agora o mais fantástico desse plano: junto ao casamento do Gedenilson com a Heleninha, realizaremos o nosso. Os festejos serão realizados neste castelo!

-Face a face; seus olhos grandes, verdes, irradiam esperanças, incertezas aflitivas. Mais uma vez, delicadamente me hipnotizam. A espera do sim me devora digeri-me, sua ansiedade. Ainda não consegui dizer-lhe que também anseio por este fato. O silêncio revela o embargo das minhas palavras pela emoção. Ali, bem perto de mim, o monumento! O conjunto carne-osso, como se esculpido fosse, ao sabor da genialidade do artista. O presente vive o presente e, espera pelo presente. Referência do ilusório imaginário popular, sonho virtual do consumo. Quintessência da espécie humana!

-Abraça-me querido, é preciso eternizar esse espaço pequeníssimo, mas indeterminado de tempo. Eu estou muito feliz!

-Justine

-Querido beije-me.

–Trecho do meu livro DOSSIÊ.

—Mais, muito mais, eternamente-.

 

  
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Publicado outubro 20, 2008 por heitordacosta em Recordações

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    • Foto-Heitor         Cabeças Pensantes atentem e vigiem
    •                                                                        RECORDAÇÕES.

 

Como sempre, a senhora Ana Rosa, que eu a tenho como uma grande amiga e que sempre me brinda com pérolas como essa que eu irei com vossa licença apresentar-lhes.

 

A HISTÓRIA DO RIO, CONTADA ATRAVÉS DE SEUS USOS E COSTUMES, DE FORMA SABOROSA E EDUCATIVA. É COMO SE FOSSE UMA HISTÓRIA DA QUAL TODOS NÓS, CARIOCAS E "ADOTADOS", FÔSSEMOS PERSONAGENS.

 

Aqui nesse espaço havia uma matéria que misteriosamente deixou de existir. 

  

– Espero que tenham admirado a matéria apresentada. Parodiando Roberto Carlos -Essas recordações me matam-.

-MAIS, MUITO MAIS, ETERNAMENTE-.

Publicado setembro 10, 2008 por heitordacosta em Recordações