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Cabeças Pensantes atentem e vigiem  A Lei, ora Lei…

Representante da OAB-SP: Lei Seca agora é só para desavisados

Eliano Jorge

É como se o presidente da comissão de trânsito da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Maurício Januzzi, se deparasse com o Supremo Tribunal Federal (STF) se aproximando na contramão. Não em alta velocidade, que a Justiça brasileira não é disso. Mas seguramente no sentido contrário ao de quem defende maior rigor contra o descumprimento das leis de trânsito.

O STF decidiu, nesta quarta-feira (28), que somente teste do bafômetro ou exame de sangue vale como prova de embriaguez de condutor de veículo. Porém, ninguém está obrigado a se submeter a essas comprovações. Januzzi, que já considerava branda a legislação vigente, reprovou com veemência a alteração.

– A minha opinião é que houve um sepultamento da Lei Seca, não existe mais Lei Seca no País. Só será processado quem quiser fazer o exame do bafômetro, quem quiser fazer o exame de sangue. Fora isso, impossível. Ninguém é obrigado a produzir nenhuma dessas provas. Só vai fazer quem tiver desconhecimento – afirmou o representante da OAB-SP.

Na sua avaliação, produz-se agora uma distorção perigosa:
– Na realidade, não é nem uma lei que pega ou não pega. Vou ter uma lei para poucos, para aqueles mais desavisados.

Januzzi acredita que crescerá o número de incidentes graves no trânsito brasileiro.
– Não só vai aumentar como não vai diminuir. Mesmo com a lei, já não diminuía. (A mudança) vai fazer a Justiça e a Polícia ficarem de mãos atadas, sem terem o que fazer.

O posicionamento do seu grupo já estava consolidado, documentado e com sugestões para o aprimoramento das discussões nacionais sobre o assunto.

– Tem que mudar a lei urgentemente, coisa que nós da OAB viemos preoconizando. Já temos até um projeto de lei de iniciativa popular angariando assinaturas. A gente precisa de 1,3 mihão (de adesões) para que a coisa possa mudar no Congresso Nacional. Está no site http://www.naofoiacidente.org: teria que alterar a redação do artigo 306, tirar os 6 decigramas (de álcool por litro de sangue), tolerância zero, e fazer o exame clínico tenha força de prova. Só vai ter força de prova quando não houver o (índice de) 0,6 no caput do artigo.

Para Januzzi, entretanto, a questão é muito mais ampla, apesar de isso não contradizer a urgência de endurecimento das leis.
– Falta educação de trânsito, não só de embriaguez ao volante, como de qualquer questão relativa ao trânsito. O governo não investe em educação no trânsito, prefere investir pagando internação, prótese, cirurgia, fisioterapia para depois que a coisa acontece. Ele não age preventivamente. Nunca agiu, não vai ser agora.

 Pois é… BRAASSSSSSIIIIL

Publicado março 29, 2012 por heitordacosta em noticias e opinião

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Cabeças Pensantes atentem e vigiem; Recebi esse email de uma amiga e por considerar pertinente peço licença para reproduzir.

Triste história de um Professor Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS)Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre , onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, pela entrada do inverno, resolveu também ir á aula uma daquelas alunas-turista que aparecem vez por outra para fazer uma social. Para rever os conhecidos. Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos. Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender’ e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a estudante quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela. Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola. Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!… Isso mesmo!… tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (?) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores’. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!… Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil. Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, ”te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país”.Fica cristalina a visão de que, neste país:Ø NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORESØ NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃOØ AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIMAlguns exemplos atuais:· Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela Academia Brasileira de Letras”… · Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da Comissão de Educação e Cultura do Congresso”…TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um ACT ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00… Moral da história: Os professores ganham pouco, porque só servem para nos ensinar coisas inúteis como: ler, escrever, pensar,formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc….SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:Ø Educação Física: Futebol;Ø Música: Sertaneja, Pagode, Axé;Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento das “Celebridades”Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão;Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;Ø Português e Literatura: ?… Para quê ?…Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.Está bom assim? … eu quero mais!… ESSE É O NOSSO BRASIL …Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil)Ø BOPE – R$ 2.260,00………………….. para …….. Arriscar a vida;Ø Bombeiro – R$ 960,00…………………para …….. Salvar vidas;Ø Professor – R$ 728,00…………………para …….. Preparar para a vida;Ø Médico – R$ 1.260,00………………….para …….. Manter a vida;E o Deputado Federal?…..R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus bajuladores apaniguados naquela manobrinha conhecida do por fora vazenildo!).IMPORTANTE:Faça parte dessa corrente patriótica um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse sono egoísta as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas fofas poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasília, acorda Brasil !…

-Pois é… Se vero e muito lamentavel.

Publicado fevereiro 28, 2012 por heitordacosta em noticias e opinião

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Cabeças pensantes atentem e vigiem Hoje , segundo domingo do mes de janeiro do ano 2012. Vou aproveitar mais um dia das férias.

Brevemente estarei de volta.

Fraternal abraço a todos.

Mais, muito mais-.—

Publicado janeiro 8, 2012 por heitordacosta em noticias e opinião

A Ordem das Cabeças Pensantes atentem e vigiem   Leave a comment

Cabeças Pensantes atentem e vigiem Assunto de relevância.

Segue conteúdo divulgado pela mídia, conforme matéria publicada no Jornal O Globo “Encontrados 50 mil de ovos de tartaruga na zona rural do Rio Grande do Sul”, em 08/01/2010:

A Companhia Ambiental de Pelotas confirmou no final da manhã desta sexta-feira que cerca de 50 mil ovos de tartarugas da espécie tigre-d’água foram encontrados em dez canteiros na localidade de Barra Falsa, zona rural de Rio Grande. A informação inicial era de que pelo menos 10 mil ovos estariam enterrados no local.

Trinta policiais militares participam da ação que encerra uma operação iniciada há seis meses. Os ovos são coletados nas margens do Canal São Gonçalo e enterrados à espera da eclosão. Famílias que estavam no local foram detidas enquanto a BM faz um levantamento dos envolvidos. A operação segue durante todo o dia.

Biólogos e veterinários do Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) estão no local. Os ovos serão removidos ainda hoje. A polícia trabalha com a possibilidade de contrabando dos animais para fora do país e do estado, além da venda para criação doméstica.

                           

                           

Milhares de quelônios ainda são sacrificados a golpes de facão e pauladas na América Latina. As sete espécies que desovam na região estão em risco de extinção.

MÉXICO., (Tierramérica).- Matar uma tartaruga marinha ou roubar seus ovos pode custar ao infrator mais de US$ 140 mil em multa e até nove anos de prisão no México, enquanto em Cuba a pena é de US$ 200 e na Costa Rica de três anos de prisão. Entretanto, esses castigos e a proteção comprometida na maioria dos países da América Latina e do Caribe não detêm o caminho das tartarugas rumo à extinção. Das oito espécies existentes no mundo, sete podem desaparecer em um futuro próximo, segundo especialistas.

Em certas praias latino-americanas ainda podem ser encontradas, a cada ano, centenas de carapaças de tartarugas mortas a golpes de facões e pauladas, além de restos de animais mortos devido à amputação das aletas para vender sua pele ou à extração de seu ventre à ponta de faca a fim de tirar seus ovos. “Cada vez menos tartarugas chegam à praia, e isso se deve às matanças e porque o governo apenas promete protegê-las, mas nada faz efetivamente”, disse ao Terramérica o pescador Manuel Abarca, que junto com uma dezena de amigos cuida, desde 1999, da chegada desses animais à praia no Estado mexicano de Guerrero, onde desovam.

Sete das oitos espécies existentes de tartarugas marinhas chegam a mais de 127 praias mexicanas para depositar seus ovos. Esse é um dos países que pune mais severamente a captura, e desde 1990 declarou total proibição à matança e extração de ovos. Entretanto, mais de dois mil exemplares são sacrificados todos os anos, segundo cálculos extra-oficiais. “Creio que são muitas mais, pois apenas nesta praia matam, fácil, 500 tartarugas por ano”, disse Abarca. Até os anos 80, a maioria dos países permitia a captura de tartarugas marinhas e seus ovos, mas na década seguinte, a evidência de que a espécie estava em declive levou os governos a determinarem a proibição e ditar leis contra essa atividade.

Das tartarugas se extrai óleo, carne, pele para fabricar sapatos e bolsas, e matéria-prima para artesanato. Além disso, os ovos são consumidos em razão de seu alto nível de proteínas e por possuir supostas propriedades afrodisíacas. As tartarugas existem no planeta há mais de cem milhões de anos, apesar de enfrentarem altos índices de mortalidade por suas características biológicas e, nos últimos tempos, pela aniquilação à qual são submetidas pela humanidade. Estudos científicos indicam que apenas entre 0,02% e 0,2% de cada dez mil filhotes de tartaruga chegam à idade adulta.

Na Costa Rica, um dos poucos países da América que ainda permite a coleta controlada de ovos, os especialistas lamentam que a situação desse animal continuem em estado de emergência, apesar de programas, controles e sanções. As leis costarriquenhas castigam com até três anos de prisão os que violam as normas de manejo destas espécies. A tartaruga-de-couro (Dermochelydae coriacea) é a que corre maior risco, pois sua população diminuiu no México, Chile e Peru, explicou ao Terramérica a bióloga Isabel Naranjo, do Programa de Recuperação de Tartarugas Marinhas da Costa Rica. “Acredita-se que se continuar este ritmo de extermínio, em dez anos pode desaparecer”, advertiu. Em 1992, chegavam à Costa Rica entre mil e 1,5 mil tartarugas-de-couro, mas no ano passado chegaram apenas 52 exemplares.

Cuba, que pede o fim da proibição mundial da venda de caparaças da tartaruga-de-pente (Eretmochelys), é praticamente o único país no mundo que informa sobre aumento da desova de tartarugas em suas praias. A ilha guarda em depósitos 7,8 toneladas de carapaças de tartarugas-de-pente, recolhidas entre 1993 e 2002. Apesar de defender o fim da proibição, Cuba mantém sob rígidos controles seu manejo, bem como o de outras espécies delicadas. Segundo a legislação, quem viola as normas de conservação de tartarugas tem de pagar multa entre US$ 15 e quase US$ 200.

Às espécies de couro e de pente somam-se as tartarugas kemp (Lepidochelys kempii), cabeçuda (Caretta caretta), pequena (Lepidochelys olivacea), verde (Chelonia mydas), preta (Chelonia agassizii) e australiana (Natator depressus).

A Venezuela também prevê multas e prisão, e desde 1996 mantém a proibição da captura de tartarugas marinhas. Entretanto, o Terramérica obteve denúncias de ambientalistas sobre a persistência do comércio ilegal da espécie. Na zona da península de Paraguaná, no noroeste venezuelano, em frente às Antilhas Holandesas, são capturados pelo menos 200 exemplares ao ano, de acordo com as denúncias. Clemente Balladares, biólogo marinho do serviço estatal Profauna, reconheceu que também sofreram redução as populações de tartarugas marinhas em seu país. “A aplicação intensa da lei está sujeita à disponibilidade de recursos, orçamento, lanchas-patrulha e efetivos de vigilância treinados”, disse ao Terramérica.

Em quase todo o continente, os governos dizem não ter fiscais suficientes para proteger as tartarugas, mas afirmam estar fazendo o necessário contra a extinção da espécie, que há milhares de anos tem nas praias da região seus locais preferidos para desovar. Os governos dão ênfase a programas de ecoturismo, educação de pescadores e redução da demanda por carne e ovos, temas que serão debatidos por mais de mil especialistas durante o congresso mundial sobre a espécie, que acontecerá entre 22 e 29 de fevereiro, na Costa Rica.

“No ano passado informamos sobre a morte de tartarugas ao governo, mas só agora nos deram atenção porque chamamos a imprensa e fizemos alarde”, afirmou o mexicano Abarca, pescador que trabalha como secretário honorário do acampamento de tartaruga San Valentin, nas costas do Estado de Guerrero. Abarca denunciou à imprensa, no início deste ano, a presença de restos de pelo menos 500 carcaças de tartarugas na vasta zona da qual cuida, junto com outros pescadores, desde 1999. No dia 19 de janeiro, quando a polícia já havia chegado para vigiar parte da praia de mais de 13 quilômetros, o pescador saiu para fazer nova inspeção e encontrou pelo menos mais 170 carapaças.

“A matança acontece todos os anos, mas muitos o fazem por necessidade, pois aqui não tem trabalho, nem turismo, nem agricultura”, disse. “Quero dizer a todos que protejam este animal e que o governo não fique nas promessas e ajude as pessoas para que não tenham que pegar os ovos, e que também envie policiais para controlar os delinqüentes que fazem da tartaruga um negócio”, afirmou.

— Pois é… Não importa o lugar, a região ou pais. O que não pode é parte da Mídia tentar dar ao fato, outra versão distorcendo tentando desescaracterizar a denúncia

—Mais, muito mais, eternamente-. 

Publicado maio 10, 2010 por heitordacosta em noticias e opinião

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Cabeças Pensantes atentem e vigiem

 

O outro lado da Face Oculta

 

Recebi este e-mail do meu considerado amigo Lula Araújo. Apesar das dificuldades  técnicas que me cercam atualmente impedindo-me de desenvolver o meu trabalho, num esforço supero e reproduzo  para vocês o seu conteúdo.

 

Fwd: FW: ENC: CARTA ABERTA PARA RENATO ARAGAO.

Date: 2009/8/21

Subject: FW: ENC: CARTA ABERTA PARA RENATO ARAGAO.

To: Lula Araújo <lulacam@gmail.com>

Leiam pois isto é de interesse público.

 Show de bola, nota dez para a Eliane…Divulgue, vale a pena…

      Muito Boa Resposta

 

. Fwd: FW: ENC: CARTA ABERTA PARA RENATO ARAGAO.

 

Querido Didi,

 

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências).

 

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas a mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.

 

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.

 

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.

 

O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?

 

Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação.. Mas, infelizmente, não é o que acontece…

 

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você, Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

 

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

 

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

 

Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

 

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando… Eliane Sinhasique – Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.

 

P.S.1: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

 

P.S.2: Aos otários que doaram para o "Criança Esperança". Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu (dela) imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

 

P.S.3: E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE  11(ONZE) ANOS?

 

MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?

 

 

 

BRASILEIROS  PATRIOTAS  (e feitos de idiotas), DIVULGUEM ESTA REVOLTA…

 

 

-Pois é….

-Mais muito mais eternamente-.

 

 

 

 

 

 

 

 

 
              

Publicado agosto 22, 2009 por heitordacosta em noticias e opinião

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     Foto-Heitor

 

O meu querido amigo irmão de fé e companheiro de jornadas televisivas, o último dos moicanos representando a nossa geração de profissionais, acaba de enviar esse email que eu peço licença para reproduzir.

 

Querido irmão veja o que Clodovil deixou pra nós.
Vamos divulgar?

HERANÇA DO DEPUTADO CLODOVIL HERNANDES

Clodovil era uma figura inegavelmente polêmica. Mas tinha idéias e coragem, além das suas contradições, tão humanas. Inteligente, com um senso crítico aguçado, ele dizia o que os outros apenas pensavam…
Em Julho de 2008 o deputado Clodovil Hernandes apresentou à Mesa da Câmara proposta de emenda à Constituição (PEC) para reduzir o número de deputados de 513 para 250. O projeto teve o apoio de 279 parlamentares (eram necessários 172 votos para que fosse apresentado).  Não passou, por interesses óbvios. De novo é o gato tomando conta do peixe.
Pelo projeto, nenhuma Unidade da Federação poderá ter menos de 4 deputados nem mais de 35. Hoje, a menor representação tem 8 e a maior, 70. Se a PEC passar, haverá corte de 263 deputados e redução de gastos, só em despesas com os parlamentares, de R$ 26,3 milhões por mês. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Vamos divulgar e apoiar? A idéia é ótima!!!!
Fui pesquisar o custo de cada parlamentar brasileiro, e de acordo com a ONG Transparência Brasil o custo de cada deputado é de R$ 6,6 milhões por ano! E o custo de cada senador é de R$ 33,1 milhões por ano. Se a emenda Clodovil passasse, reduzindo pela metade o número de parlamantares, e supondo que isso pudesse ser feito tanto na Câmara quanto no Senado, teriamos uma economia de aproximadamente R$ 3,1 BILHÃO DE REAIS!!!
Isso dá mais ou menos R$ 17,00 por habitante.
Já que o gasto público com saude é de R$ 0,64  por habitante, veja o que a economia com os parlamentares pode proporcionar!!! (No Brasil, segundo o sindicato dos hospitais de Pernambuco (Sindhospe), "para um gasto total de U$ 600 per capita/ano (em saúde), apenas US$ 300 vêm do setor público. Destes, apenas U$ 150 são investimento federal, ou seja, U$ 0,40 por cidadão brasileiro".)
Daria para multiplicar a verba hospitalar atual por habitante por mais de 26 vezes!!!!
Além disso, teremos menos chance de corrupção, menos poliíticos para controlar.
Divulguem, se concordarem.
Quem sabe a maior obra do Clodovil não será póstuma ?

-Pois é; em nosso país é costume após a pessoa deixar de existir, receber loas, na maioria das vezes sem merece-lás

-Mais,muito mais,eternamente-.

Publicado abril 17, 2009 por heitordacosta em noticias e opinião

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Foto-Heitor  Chegou a Hora!

 

 

                            “Não se pode perder uma oportunidade

                            sequer para reafirmar a liberdade de expressão!”.

 

                                     ministro ayres brito 

 

                                   -Ministro Ayres Brito-

Que Deus ilumine sua consciência.

-Mais, muito mais, eternamente-

Publicado abril 1, 2009 por heitordacosta em noticias e opinião

Cabeças Pensantes atentem e vigiem-A marca de 151.000 acessos-   2 comments

 
 
 
                                       

Cabeças Pensantes atentem e vigiem

 

É com grande alegria que a Ordem das Cabeças Pensantes informa aos amigos e componentes ‘Cabeças Pensantes’ e também, a todos que nos prestigiam e acompanham os nossos trabalhos acessando o nosso site, que hoje, domingo 25 de janeiro de 2009, ultrapassamos a marca dos cento e cinqüenta e um mil acessos ao nosso site. 

 

                                                    151.000

Mais uma vez sô agradecido a todos pelo carinho e apoio.

-Mais, muito mais, eternamente

Publicado janeiro 25, 2009 por heitordacosta em noticias e opinião

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       Foto-Heitor 
  A Decadência da mentira

 

 

Nesses últimos dias vivemos um período de felicidade “ilusória” manifestada pelo imaginário coletivo de sociedades em quase todo o planeta. Induzidas por parte da mídia em fração de segundo o mundo torna-se humano, fraternal. O amor aflora em todos os seres. Todos se amam entre si e, desejam-se.

Porém, passado essa histeria coletiva, voltamos à realidade onde os fatos reais ou não, continuam ditar normas, regras, costumes, ora alicerçados na verdade verdadeira ora, na mentira repetida.

O Papa Bento XVI disse recentemente que a questão da homossexualidade é tão grave quanto o aquecimento global.

Em outro episodio, ao discursar na “inauguração” da Cidade da Música, o Sr Cesar Maia citou, talvez numa ilação ao acontecimento, “A Decadência das mentiras” de Oscar Wilde.

Vou pedir licença para apresentar um trabalho que eu acho pertinente para ocasião.

 

Oscar Wilde – Um Esteta na Pátria do Utilitarismo

Richard Miskolci

“Art is a symbol, because man is a symbol.”
De Profundis
Publicado originalmente na revista Temas- UNESP/Araraquara, Pós-Graduação em Sociologia, 1995. Ano II N.3 p.33-46
Resumo: O texto aborda a inserção social de um artista, eminentemente um esteta, na sociedade vitoriana. Os ensaios teóricos de Wilde aproximam-no das idéias de Nietzsche, sem que ele as tenha conhecido. Um panorama de sua obra é esboçado dentro desta perspectiva e a interpretação de seu amoralismo como forma superior e mais sofisticada de moral perpassa a análise.
Wilde era um irlandês na sociedade britânica, devasso descuidado no reino da hipocrisia. Coerente com sua persona de poeta maldito escolheu o caminho mais trágico para encerrar sua carreira, escolha que o levou ao cárcere e à abjeção nacional.

Oscar Wilde – Um Esteta na Pátria do Utilitarismo
O termo esteta tem uma conotação pejorativa em nossos dias, a compreensão das razões dessa atitude é reveladora. Ao esteta atribui-se uma excessiva valorização da arte, falta de conexão com os problemas reais da existência humana e características ainda menos lisonjeiras. Kierkegaard via o homo aestheticus como o oposto do homem ético e durante todo o século XIX o esteticismo e o antiesteticismo congregaram forças.
O estilo caracteristicamente idealista do pensamento alemão foi mais hospitaleiro à investigação estética do que o racionalismo francês ou o empirismo inglês. A estética surge como categoria teórica quando a produção cultural ganha autonomia em relação às várias funções sociais a que servia tradicionalmente.
Devemos iniciar caracterizando a estética como uma ciência autônoma da sensibilidade, mais precisamente, um discurso sobre o belo que desafia a lógica. O Aesthetica (1750) de Alexander Gottlieb Baumgarten representou uma inarticulada rebelião do corpo contra a tirania do teórico. Essa virada criativa em direção ao corpo sensual relaciona-se a uma preocupação libertadora com o particular e uma forma astuciosa de universalismo. Assim, é possível compreender a estética como reação à crescente racionalização que ocorre junto com a ascensão da burguesia e do sistema econômico capitalista.
O belo, na tradição platônica, era visto como “apresentação sensível”, como ilustração do verdadeiro, como uma transposição materializada de uma verdade moral ou intelectual. No platonismo, na teologia cristã ou no cartesianismo, o mundo inteligível é sempre superior ao sensível. Deus, por ser inteiramente inteligível, não é afetado pela marca da imperfeição e finitude humana que é a sensibilidade.
A estética é uma ruptura com a teologia e a filosofia de inspiração platônica. O objeto da estética é o próprio homem. A autonomia do “sensível” (mundo onde o divino se retira para dar lugar ao humano) se realizou em três etapas. A primeira se deu com a publicação do Aesthetica de Baumgarten e a Fenomenologia de Johann Heinrich Lambert (1766, a primeira de uma longa linhagem), com estas obras toma forma o projeto de se isolar uma lógica própria dos “fenômenos” sensíveis. Depois, a Crítica da Razão Pura de Kant declarou a autonomia radical do sensível com relação ao inteligível abrindo espaço para a Crítica da Faculdade de Julgar. Por fim, Nietzsche suprime pura e simplesmente o mundo inteligível eliminando toda a referência a Deus, mesmo como idéia. O mundo sensível, o propriamente humano, é alçado à categoria de único mundo.
A estética desafia a lógica ao declarar o objeto belo radicalmente não-inteligível (irracional). A filosofia racionalista não tem como desviar os olhos do que está fora da razão. De Leibniz a Freud isso será o problema central do pensamento germânico. Na Inglaterra, pátria do utilitarismo, encontraremos uns poucos que ousaram adentrar nessa esfera de reflexão idealista. Walter Pater foi um dos pioneiros, mas Oscar Wilde (1854-1900) tornar-se-ia o maior esteta inglês. Seria o defensor teórico da estética como apologia radical das potencialidades humanas como fins em si mesmas na pátria do utilitarismo burguês, o responsável pela estreiteza espiritual da era moderna.
A estética, como herança da nobreza, é a exaltação da “riqueza do ser”, inimiga do egoísmo burguês. Ressalta uma visão de sociedade como comunidade de sensibilidade com seus iguais. Julgar esteticamente eqüivale a livrar-se de preconceitos em nome de uma humanidade comum e universal:
“O desgosto que sentimos frente à tirania e à injustiça é anterior ao cálculo racional, como o nojo que sentimos diante de um alimento estragado. O corpo é anterior à racionalidade interesseira e forçará sua aprovação ou aversão instintiva às nossas práticas sociais.” (Eagleton: 1993, p.34)
Na França e na Inglaterra, a estética materializou-se mais como movimento artístico do que como discurso teórico, o qual se manteve especialidade germânica. O esteticismo guarda similaridades com a estética, mas caracteriza-se pela aplicação de um de seus pressupostos: a obra artística é superior a qualquer discurso teórico racional sobre ela. Assim, se o esteticismo perde em clareza conceitual ganha por conceder à arte o poder questionador e, esperava-se transformador, que o discurso teórico revelava-se incapaz de concretizar.
Na segunda metade do século XIX, decadentismo e esteticismo eram muito ligados e as críticas atribuídas a eles versavam sobre sua suposta morbidez e presunção, seus excessos técnicos e lingüísticos, sua preocupação exclusiva com a sensação, seu artificialismo e anormalidade. Essas críticas ignoravam o fato de que decadência pode significar aperfeiçoamento; não tem ligação necessária com morte e fim, mas antes pode ser um melhoramento da vida. Wilde dizia que os decadentes eram sinceros, honestos e austeros. A decadência de algo está sempre associada ao nascimento de outra e, no caso de Wilde, na tentativa de contribuir para a criação de um novo homem, o qual denominaremos de homo aestheticus.
A figura do esteta foi acidamente utilizada em romances de escritores tementes à moral, o que ajudou a formar a imagem do esteta como homem preguiçoso, superficial e de sexualidade ambígua. Em Patience (1881) de Gilbert, o esteta Bunthorne aparece como um tipo efeminado e narcisista. Henry James, cujo primeiro romance é uma reação ao esteticismo de Pater, tem uma coleção de personagens estetas. Em The tragic muse (1889), Gabriel Nash, presume-se, é sua visão de Oscar Wilde. James ironiza sua atitude de cidadão do mundo fazendo com que o personagem apareça sempre indo para “algum outro lugar” e também sua ociosidade, mas permite que ele responda às críticas de farsante e de nunca ter dado provas de seu talento. Wilde diria um dia a André Gide que colocara todo seu gênio em sua vida e apenas seu talento em suas obras, um gracejo de quem deixaria uma genial e volumosa obra. A imagem não muito desfavorável do esteta no livro do circunspecto e anti-esteticista James é reveladora. Wilde não foi um mero seguidor da doutrina estética, mas talvez seu maior transformador.
Wilde abraçou o esteticismo quando ainda estudava no Trinity College, em Dublin. Seu irmão Willie chegou a falar sobre “a moral esteticista e sua influência sobre nossa época” na sociedade filosófica do colégio. Em Oxford, com vinte e um anos, leu Studies in the history of the Renaissance de Walter Pater, o qual se tornou seu “livro de ouro” e teve influência ímpar em sua vida. Pater detinha-se, principalmente, em análises sobre Leonardo, Michelangelo e do iniciador da historiografia da arte, Winckelmann. Sem segurança quanto ao rumo de sua vida, Pater pareceu-lhe uma bússola. O capítulo final do livro de Pater, que originalmente correspondia às últimas páginas de um artigo sobre poesia estética publicado em 1868, oculta sob um disfarce de manual de instrução para críticos de estéticas uma introdução ao homoerotismo. Na segunda edição do livro o autor retirou o capítulo e só o reintroduziu na terceira, com ressalvas. Pater exaltava uma densidade de gosto e sabor, da arte e da vida. Insistia na fugacidade e na deriva de todas as coisas e neste fluxo só caberia recorrer às paixões, sensações, momentos. Seu sensualismo era um meio de exaltação do mundo sensível e libertação do homem para a fruição do mundo numa sociedade marcada por rígidas e restritivas normas de comportamento. Ainda assim, Wilde vacilava diante das repreensões morais que, ao mesmo tempo, recebia em conversas e conferências de John Ruskin.
Wilde começou a ganhar fama mais por sua conversa espirituosa e acidamente crítica e seu modo exótico no vestir do que por seus poemas e resenhas. Conta-se que em 30 de abril de 1877, na inauguração da Grosvenor Gallery, compareceu com um casaco com a cor e o formato de um violoncelo. Afirmou ter sonhado com a roupa. Às vezes usava lenços de cores muito vivas e acessórios que chocavam a sofisticada (leia-se padronizada) sociedade londrina. Foi exótico no vestir na época em que isso representava uma espécie de rebeldia. Dizia que não nascera para regras, mas sim para exceções.
O século XIX marca a consolidação da alienação dos indivíduos com relação à existência pública. Wilde foi uma figura pública numa sociedade viciada na vida privada. As pessoas temiam revelar suas intimidades pelas aparências. A indiferenciação das roupas era patente já na década de 1840 e revelava a aparência neutra como busca de proteção aos olhos da sociedade. A sofisticação, atributo cosmopolita, eqüivalia à capacidade de passar desapercebido pela multidão. Os dois fenômenos que os burgueses mais temiam revelar nas aparências eram a classe social e o sexo. Wilde recusou-se a cindir sua vida pessoal em duas como fizeram seus contemporâneos, afirmou a unidade de sua personalidade frente a uma sociedade baseada na vida dupla.
Em 1883, surge o romance de Huysmans, À rebours (Às Avessas), que daria força programática ao decadentismo do outro lado do canal. O protagonista do romance, Des Esseintes, é um nobre decadente com gostos incomuns. De tanto buscar prazeres inauditos termina numa glamurosa neurastenia. Esta obra estabeleceu a figura do esteta como degustador, aquele que passa de um desejo exótico ao outro. O romance logo caiu na predileção de Wilde que adotou até mesmo o uso do cravo verde. De Esseintes afirma que se as flores artificiais são preferíveis às naturais, então as flores naturais que parecessem artificiais seriam mais belas ainda. Logo um florista da Burlington Arcade passaria a tingir todos os dias cravos brancos de verde.
Essa tendência wildeana de romper a barreira entre a ficção, ou imaginação no caso do sonho sobre o traje em forma de violoncelo, e a realidade revela uma aptidão filosófica. Schopenhauer afirmou sem rodeios que o dom de considerar, em certas ocasiões, os homens e todas as coisas como imagens oníricas era tipicamente filosófico. Nietzsche ressalta em O Nascimento da Tragédia que nosso ser mais íntimo, o que é comum a todos nós, encontra na experiência onírica um prazer profundo e essencial. Wilde queria levar isso ao paroxismo.
Sua opção pelo humor para manifestar as agudas críticas à sociedade vitoriana é coerente com sua percepção de que a distorcida moral burguesa que queria denunciar tinha na aparência de seriedade seu alicerce. Nos sérios e fleumáticos rostos dos burgueses descobriu uma máscara que queria retirar. Por detrás delas encontraria o culto ao sacrifício pessoal, o qual uma vez comparou como remanescente da automutilação dos selvagens e parte da adoração da dor.
Wilde sabia que no culto ao sacrifício e à dor está inscrita a aceitação da realidade, a conformação, mas era um espírito irrequieto e rebelde por natureza. Afirmaria que não podíamos voltar ao santo, havia muito mais a ser aprendido com o pecador. O pecado é um elemento essencial da evolução humana, ele enfatiza a originalidade do indivíduo e nos salva da monotonia do tipo. Queria transformar o que não lhe agradava e exaltar o prazer como mais humano do que a dor.
Até o início da década de 1890 oscilou entre duas versões do esteticismo: a derivada de Gautier e defendida por Whistler que exaltava a arte por seu elitismo e sua absoluta inutilidade, além de dissociá-la da vida e da natureza e a versão que sustentava a capacidade da arte refazer o mundo. A arte é realmente inútil aos olhos de uma sociedade pautada pela economia, mas nisso reside sua subversão. O inútil para o burguês não o é para o esteta.
Em sua passagem pelos Estados Unidos em 1882, Wilde apresentou a doutrina estético-decadentista sob o título de “A Renascença Inglesa” e alcançou a mescla perfeita das versões do esteticismo negando seu elitismo. Em suas conferências ficou claro que abandonara a aprisionante teoria pateriana da apreciação do instante e dirigia-se a uma espécie de socialismo, através do qual poderia ensinar ética aos moralistas. Aproximava-se cada vez mais de uma concepção da estética como transformadora do homem moderno de seu decadente estado para um “homem maior”, como dizia Wallece Stevens. Wilde defendia um esteticismo repensado.
A idéia de renascença apareceria de maneira mais clara em The soul of man under socialism (A Alma do Homem Sob o Socialismo) e designa uma era de surgimento de um novo helenismo onde a propriedade seria abolida. O casamento é apresentado como transposição da propriedade para a esfera das relações amorosas e, assim, também seria eliminado. A sociedade utópica possibilitaria a concretização do homo aestheticus, do livre e completo desenvolvimento das capacidades humanas. O esteta vê na arte a concretização do nobre espírito humano. As obras artísticas são modelos aos quais devem recorrer os homens espiritualmente vazios de nossa era.
No final da década de 1880, Wilde deixou claro que não aceitava a arte pela arte. Essa máxima só tinha sentido ao se referir ao que sente o artista enquanto está compondo, mas nada tinha a ver com o motivo geral da arte. Em “The decay of lying” (“A Decadência da Mentira”) expõe sua teoria invertendo Aristóteles ao afirmar que a vida imita a arte. Esta afirmação paradoxal sintetiza sua visão do esteticismo como transformador da vida humana. Seu elogio à artificialidade é nada mais do que a exaltação da imaginação humana ante um mundo cada vez mais aprisionado à estéril e dolorosa realidade objetiva. Quando fala que o pôr-do-sol é uma invenção de pintor quer dizer que a criação artística é instigadora da percepção humana. A apologia da beleza em seus textos é também a do bom. Neste sentido devemos compreender frases como esta: “Olhar uma coisa e vê-la são atos muito diferentes. Não se vê uma coisa enquanto não se compreendeu sua beleza. Então, e só então nasce para a existência.” (Wilde: 1961 , p.1088)
Em “The critic as artist” Wilde afirma sua visão da crítica como empregadora da “experiência concentrada da espécie” de maneira a opô-la às obras dos artistas tomados individualmente para evitar que caíssem no conformismo. A arte, para ele, é uma grande subversiva, mas sempre corre o risco de esquecer a subversão. O verdadeiro artista é crítico, destrói enquanto cria. O decadentismo seria, então, a exposição acelerada dos meios de transformação para que se alcançasse algo melhor no novo que se criava. Como ironiza Nietzsche em sua autobiografia espiritual Ecce Homo, se diziam que ele era um decadente então, também era o contrário.
Sem ter lido Nietzsche, Wilde chegou a uma visão próxima da do filósofo alemão com relação a muitas coisas. Destacamos seu questionamento de todos os valores consagrados e a exaltação da vida como fenômeno estético. Não conhecia a elaborada teoria nietzscheana da genealogia da moral, segundo a qual o cristianismo derrubou as virtudes pagãs e instituiu uma moral de escravos; mas percebia que a moral devia ser reavaliada. Referia-se, às vezes, a uma “ética superior” que reveria todos os valores. A decadência estava em todas as virtudes que os vitorianos gostavam de exibir como prova de vigor. A hipocrisia vigorava disfarçada de seriedade e o artista deveria ousar desmascará-la. Wilde e Nietzsche, cada um a seu modo, estavam construindo um homem novo.
A defesa que Wilde faz da arte como transformadora do real não está muito distante da estética como ciência desenvolvida pelo pensamento filosófico alemão. Não deixa de ser curioso o fato de, paralelamente e ao mesmo tempo, Nietzsche na Alemanha e Wilde na Inglaterra estarem avaliando as relações entre ética e estética. O questionamento da moral os aproxima, mas suas conclusões são distintas. Nietzsche parece professar um perspectivismo absoluto enquanto Wilde encontrou uma perspectiva moral não viciada pela sociedade burguesa. Sua descoberta foi mais intuitiva, mas nem por isso menos importante. Explicitaremos essa perspectiva ao analisar sua obra ficcional, ou seja, seus contos e seu único romance.
Consideramos essencial compreender sua visão do artista na sociedade. Para Wilde, o artista é um transviado não apenas por escolha. A consciência de seu próprio desvio sexual o ajudou a perceber isso. No final do século XIX não se empregava ainda o termo “homossexual” e Wilde defendeu essa orientação sexual basicamente através do ataque às máximas morais simplistas dos puritanos em suas peças da década de 1890. Nunca defendeu abertamente a homossexualidade, exceto uma vez em seu julgamento. Negou-se a assumir o papel de vítima da sociedade de forma contundente porque se considerava um rebelde, não um mártir ou missionário.
Em três obras entre 1889 e 1892 investiu contra a fatuidade heterossexual como insulto à presunção contente consigo mesma: The Portrait of Mr. W. H. que jogava com a idéia de que Shakespeare era homossexual e teria escrito os sonetos a seu querido sr. W. H.* , The Portrait of Dorian Gray e Salomé, peça redigida em francês. Em The Portrait of Dorian Gray revela sua compreensão da necessidade de união entre ética e estética. Numa resposta a uma crítica de seu romance como imoral destaca o fato de na verdade ele ser moralista. A moral do romance seria a de que todo excesso, como toda renúncia, atrai seu próprio castigo ( vide Wilde: 1961, p.1318). Dorian arruina homens e mulheres, portanto as duas formas de amor são apresentadas como corrompidas. Não há celebração da homossexualidade, mas sim sua exposição diante de uma sociedade que fingia que ele não existia. Foi um ato de coragem e para Wilde pessoalmente, com os acontecimentos que o envolveriam com Lord Alfred Douglas, uma temeridade.
Wilde dizia que a base da ação é a falta de imaginação. A ação é o único recurso dos que são incapazes de sonhar. Essa crítica dirigia-se claramente ao homem moderno cuja vida baseia-se na atividade irrefletida, no hábito de cumprir tarefas. A estreiteza espiritual do homem de ação revela-se em sua aceitação da realidade objetiva. A irreflexão e a servidão voluntária derivadas da atividade são sinônimos. Em “A Decadência da Mentira” (1889) observa que o pensamento não era contagioso na Inglaterra e aqueles que eram incapazes de aprender dedicaram-se ao ensino. A educação em moldes utilitaristas estava tornando estúpidas as pessoas. Uma sociedade baseada na ação é, na verdade, fundada na ignorância.
Wilde cultuava a figura do “lagarto preguiçoso”, aquele que só aparece depois das cinco da tarde. Na Inglaterra vitoriana viciada pela atividade econômica era necessário compreender o que ele definia como “a importância de não se fazer nada” (citado em Ellmann: 1991, p.14). Wilde propunha a transformação da sociedade pelo ócio e neste aparente pedantismo reside a condenação do homo oeconomicus que se estabelecera como padrão através do capitalismo.
O homem de ação é, acima de tudo, o burguês. A Inglaterra é a pátria do sistema econômico capitalista, nela a burguesia ascendeu ao poder já no século XVII com a Revolução Gloriosa. A Revolução Industrial lançou as bases de toda a sociedade contemporânea, uma sociedade cuja principal característica é a atividade econômica. O materialismo que permeia a vida do homem moderno é a ilusão que sustém a sociedade pautada pelo sistema econômico-produtivo. Por isso, Wilde dizia que o homem de ação tem mais ilusões do que o sonhador.
Denominamos de homo aestheticus o novo homem que surgiria a partir da decadência do homo oeconomicus. Em “The Critic as Artist”, Wilde afirma que o espírito crítico pode tornar possível a (re)descoberta da vida contemplativa, aquela que tem por objetivo não fazer mas ser, e não apenas ser, mas transformar-se. Sua defesa do ócio revela-se bem diferente da atitude da figura quiescente que se lhe atribui. O ócio, na verdade, proporciona o tempo necessário para qualquer atividade espiritual e que estava sendo tomado pela atividade oca e incessante do homo oeconomicus. O ser humano precisa resgatar sua dignidade perdida no sistema econômico que emperra a transformação e mascara um crescente vazio espiritual. A moral burguesa precisa ser revista pois coaduna e justifica este estado de coisas. O que é considerado vício pelo burguês merece ser reavaliado. Assim, em De Profundis, extensa carta escrita na prisão para Lord Douglas, Wilde afirma que o supremo vício é a estreiteza de espírito.
O vazio espiritual burguês repousa em seu utilitarismo. A atividade incessante exaltada como moralmente virtuosa esconde a criação de servos de um sistema econômico que promete a satisfação de desejos humanos através de objetos. A apologia estética da arte ressalta o fato de que na imaterialidade reside o humano e apenas através dela podemos saciar nossas aspirações. A beleza desafia a materialidade de sua fonte objetal, inscreve-se na alma distanciando-se de qualquer lógica.
A reformulação que Wilde faz do esteticismo é uma rejeição do homo eroticus pateriano. Este passa de sensação em sensação buscando saciar mais instintos do que aspirações e seu fim mais coerente seria a auto-aniquilação orgiástica. Mais uma vez torna-se inevitável uma comparação com Nietzsche e sua inestimável afirmação da superioridade da unificação do dionisíaco com o apolíneo, a qual via na forma do herói trágico. Aqui encontramos também uma importante coincidência com o escritor inglês, que sabia grego e conhecia a Antigüidade Clássica, o que contribuiu para que alcançasse quase intuitivamente a sábia visão nietzscheana do mito como “subversor” do presente utilitarista.
Wilde conseguiu isso com a criação de seus famosos contos de fada. Esta forma de narrativa guarda similaridades com os mitos e permitiu, mais uma vez, que se revelasse o intuito wildeano de junção da ética à estética. Seus contos de fada são moralizantes, exemplares de uma concepção de moral mais aguda e humana do que a vigente na sociedade vitoriana. Ele percebia cada vez mais que o problema reacionário não era a moral, mas seus guardiães deformadores puritanos. Como observaria Freud mais tarde, em nossa sociedade os preceitos morais aplicam-se exclusivamente à manutenção do princípio de propriedade e à restrição da sexualidade ao que se considera normal, mas as mentiras, traições e desonestidades em geral vigoram absolutas.
A moral wildeana parece professar que o bom, o belo e o agradável estão na alma humana. A moral burguesa é distorcida porque baseia-se no espírito corrompido pelos interesses utilitaristas da sociedade pautada pela economia. Ao ler um conto de fada como “O Príncipe Feliz”, temos a confirmação dessa sua percepção. Neste conto, a estátua de um príncipe ornada por ouro e pedras preciosas conta com a amizade de uma ave para auxiliar pessoas necessitadas através de elementos de seu próprio corpo. A ave abdica de migrar para o Sul e morre de frio enquanto a estátua, sem seus adornos preciosos, é demolida como inútil pelos administradores da cidade. Mas os amigos são recompensados divinamente por sua bondade.
Em “A Decadência da Mentira”, ensaio no qual insiste no resgate da mentira, ou seja, do relato das belas coisas falsas, chega a gracejar afirmando que mentir para fomentar o progresso da juventude é a base da educação familiar. Este jogo proposital com o sentido do vocábulo mentira é sintomático de sua compreensão aprofundada da moral. Desde crianças ouvimos censuras a quem mente, mas a mentira é tão dúbia quanto a moral humana. Pode ser utilizada para o bem, como no caso da educação dos jovens, mas pode ser utilizada como meio de concretização de perfídias. O que Wilde intenta é o resgate da moral pura. A arte e a beleza exaltadas pela estética seriam o melhor meio de transformação do homem, mas perdem seu poder num mundo dominado pela realidade objetiva.
A distinção extrema entre realidade e fantasia que caracteriza nossa era impede a arte de atuar sobre a realidade. A arte é o símbolo da perfeição alcançada pelo espírito humano e que pode salvar o infeliz homo oeconomicos. A arte é o modelo perfeito que o homem moderno deveria imitar, mas sua distinção entre real e imaginário desqualifica a imaginação e o aprisiona na materialidade que o agride e o deforma. Apenas quando a vida imitar a arte e, portanto, alcançar-se o ideal do homo aestheticus, o ser humano terá resgatado sua dignidade.
Vivemos na era da decadência da mentira, da imaginação, do humano. O termo decadência é utilizado no título do ensaio como justa homenagem ao decadentismo. A decadência da mentira é ilustrada através de uma sucinta análise da ascensão do realismo na literatura. O realismo era, na época, o modernismo. Wilde criticou a fascinação pelo moderno observando que ele sempre envelhece. Através dos personagens que dialogam no ensaio, recusa-se a ver a realidade de maneira distinta da ficção. Compreendemos assim, sua asserção de que o século XIX, tal como o conhecemos, é em grande parte uma invenção de Balzac. Se tal observação fosse aceita descobrir-se-ia que La Comédie Humaine é, além da compilação das melhores obras desse autor, a concretização de tudo que a sociologia do século XIX aspirou fazer. Só que melhor.
Wilde com seu The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray) foi o responsável pela criação do principal exemplar romanesco inglês do decadentismo esteticista. O romance narra a história de um jovem de extraordinária beleza, Dorian, que é retratado por um pintor e passa a seguir os ensinamentos de um esteta teórico, Henry Wotton. Dorian deseja ser sempre belo e por razões inexplicáveis seu retrato passa a revelar os sinais do envelhecimento e das transformações de sua personalidade que seu rosto perfeito esconde. A cada experiência em busca do prazer que sempre se frustra e resulta em amargor e embrutecimento, a pintura expõe os sinais que o rosto real de Dorian não revela. O fato do jovem terminar por esconder o quadro é uma metáfora sobre a atitude tomada pela sociedade burguesa com relação à arte. Ao invés de aprender com ela, de reconhecê-la como modelo denunciatório das corrupções do humano na realidade, a sociedade burguesa prefere desviar os olhos.
A figura do esteta enquanto degustador dos pecados é criticada através do protagonista. Os ensinamentos de Pater são (re)apresentados pelo personagem de Henry Wotton apenas para serem desacreditados. O próprio Pater, em resenha sobre o livro, observa que lorde Wotton não consegue reconhecer que a vida da mera sensação é anárquica e autodestrutiva. Dorian Gray é seu discípulo e termina mal, é o primeiro mártir do esteticismo à la Pater e a negação wildeana da divisão entre ética e estética.
A dicotomia entre vida e arte é negada no romance. O real e a fantasia são invertidos a partir do momento em que o retrato de Dorian passa a revelar as marcas do tempo e os sinais de degradação advindos da entrega aos prazeres enquanto o Dorian real permanece jovem e aparentemente virtuoso aos olhos dos outros. No final do romance, o Dorian verdadeiro é o velho decaído do retrato e, mais uma vez a arte revela ao homem sua face que quis ocultar. Através da destruição do quadro, Dorian se suicida e a tela volta a estampar a figura bela retratada pelo pintor, a qual deveria ter mantido como modelo para sua vida.
Wilde ousou tocar em feridas com sua obra e na maneira como conduziu sua vida pessoal. Seu julgamento e condenação por homossexualismo revela a resposta cruel da sociedade que intentava mudar. Em De Profundis encontramos uma observação de extrema lucidez sobre o fatídico erro de Wilde, o processo por difamação contra o pai de seu amante que terminou por incriminá-lo:
“‘A única ação vergonhosa, imperdoável e absolutamente desprezível de minha vida foi permitir que me obrigassem a recorrer à Sociedade em busca de ajuda e proteção.[…] Evidentemente, assim que pus em movimento as forças da Sociedade, ela voltou-se contra mim e disse: ‘Você viveu todo esse tempo desafiando minhas leis, e agora recorre a essas leis em busca de proteção? Vai ter essas leis exercidas integralmente. Vai submeter-se àquilo a que recorreu’. O resultado é que estou no cárcere.’” (citado In: Paglia: 1993, p.520)
Na longa carta afirma que o prazer pode ser concedido ao belo corpo, mas à bela alma só é concedida a dor.
A sociedade castigou Wilde. Sem nunca ter aceito o sofrimento em sua obra, experimentou em sua própria vida a humilhação e a dor que o alçariam à condição de herói trágico. A realidade foi vil com um de seus maiores críticos, mas confirmou sua crença na superioridade da arte como modelo de perfeição humana. Em suas obras encontramos exemplares desta perfeição diante da qual a realidade não consegue esconder os olhos turvos de culpa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Eagleton, Terry. A Ideologia da Estética. Traduzido de The Ideology of the Aesthetic por Mário Sá Rego Costa. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1993.
Ellmann, Richard. “Os usos da decadência: Wilde, Yeats, Joyce” p. 11-27 e “Henry James e os estetas” p.153-171 In: Ao Longo do Riocorrente. Traduzido de a long the riverrun_ Select essays por Denise Bottmann. São Paulo, Cia das Letras, 1991.
Ferry, Luc. “A Revolução do Gosto” In: Homo Aestheticus_ A Invenção do Gosto na Era Democrática. Traduzido do original francês Homo Aestheticus_L’Invention du Goût a L’Age Démocratic por Eliana Maria de Melo Souza. São Paulo, Editora Ensaio, 1994. p.21-55
Nietzsche, F.W. O Nascimento da Tragédia ou Helenismo e Pessimismo. Traduzido de Die Geburt der Tragödie oder Griechtum und Pessimismus por J. Guinsburg. São Paulo, Cia das Letras, 1992. 177p.
Paglia, Camille. “O menino bonito como destruidor: The Picture of Dorian Gray, de Wilde” e “O epiceno inglês: The Importance of being earnest, de Wilde” In: Personas Sexuais São Paulo, Cia das Letras, 1993. p.470-523
Pater, Walter. La Renaissance. Traduzido para o francês por F. Roger-Cornaz. Paris, Librairie Payot, 1917. 365p.
Schiller, F. A Educação Estética do Homem. Traduzido de Über die Äesthetische Erziehung des Menschen por Roberto Schwarz e Márcio Suzuki. São Paulo, Iluminuras, 1990. 162p.
Wilde, Oscar. Obra Completa. Rio de Janeiro, José Aguilar, 1961. 1470p.
Wilde, Oscar. The Portable Oscar Wilde. Harmondsworth, Penguin Books, 1981. 741p.

-Mais, muito mais, eternamente-.

Publicado janeiro 3, 2009 por heitordacosta em noticias e opinião

Cabeças Pensantes atentem e vigiem- O mundo em que vivemos-   1 comment

 O mundo em que vivemos-         
 
                 Cabeças Pensantes atentem e vigiem
 
 
 
 

O mundo em que vivemos

Dois fatos que revelam o caráter (?) do ser humano nos dias de hoje. O primeiro, mais que lamentável é absurdo, é cruel. Trata-se do desvio, (roubo) das doações as vítimas das enchentes em SC, por alguns elementos componentes do exército brasileiro-soldados-.

A valorosa Instituição Exército brasileiro, tem desempenhado importante missão ajudando a população atingida pela catástrofe, ao lado de outros órgãos. Porém, esses saqueadores aproveitando a ocasião-graças à Deus-, foram descobertos, revelando o lado obscuro da psique, o desprezo pela solidariedade a vida humana.

No tempo que eu era militar havia um ritual-expulsão-, que servia de punição para certos casos considerados desvios de conduta. O transgressor ficava a frente da tropa formada. O seu ato anti-social era tornado público, – com presença da imprensa-.

A parte mais triste; após a leitura da quarta parte do RDE, -justiça e disciplina- o militar-ainda-, tinha a sua farda arrancada do seu corpo. –por baixo da farda, vestia roupa de paisano- e, era entregue a uma equipe da policia civil ali presente, conduzindo-o para detenção. Conforme o delito levava ainda uns tabefes.

Pode parecer nos dias de hoje que tal prática, seria um ato lesivo aos direitos humanos, entretanto, naquela época havia respeito moralidade e ética, e os desvios em número irrelevante, era fato quase inusitado, não uma pratica constante.

 

 

O outro fato seria cômico se não fosse trágico. É do iraquiano atirador

de sapatos, que num instante de lucidez, de revolta e, coragem, não resistiu à ironia –a chalaça- de o abjeto ser bush, – assim mesmo letras minúsculas-, que ao se despedir ofereceu o famoso beijo. –Não igual ao do Iscariote, ainda há controvérsia-, porém deste Cérbero, é puro asco.

É tripudiar de mais de um povo de uma nação. As autoridades -os fantoches- obrigadas prevêem uma pena de 15 anos de prisão para o “perigoso Terrorista”. Seu crime foi atirar sapatos em direção dessa coisa pestilenta, – infelizmente sem atingi-lo-.

A essa hipotética vítima de um “terrível atentado” que é o responsável pelo processo de destruição e de atrocidades cometidas injustamente contra países, recebe aplausos e sai livre leve e solto. Assim caminha a Humanidade. VADE RETRO. VÁ ……..

– Mais, muito mais, eternamente-

 

 

 

 

 

    

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Publicado dezembro 16, 2008 por heitordacosta em noticias e opinião