A Ordem das Cabeças Pensantes   Leave a comment

Cabeças Pensantes atentem e vigiem

Visões

Era madrugada, assistindo Televisão vi participando em um programa de entrevistas de um canal de São Paulo, um velho conhecido da época que trabalhei por lá.

Ele fora meu aluno em curso realizado na fase de implantação da Televisão Bandeirante para operadores de câmera A princípio não o reconheci, apesar de ser jovem, imagino que tenha entre 45 a 50 anos, sua imagem no momento revelava ter um pouco mais. De pronto, pensei tratar-se do Governador José Serra, depois me pareceu um psiquiatra que gosta de aparecer na mídia, – Guadêncio-, seu nome, se não me engano.

Ele falava de suas realizações profissionais. Lembro-me de seu interesse demonstrado durante o curso. Alimentava o sonho de logo ser um entre os melhores. Tempo passado, já em carreira solo, trabalhou em várias emissoras de Televisão de São Paulo. Rapidamente conheceu e teve sucessos que a profissão oferece, chegando ser considerado um bom Diretor de Imagens.

Mas, o que realmente despertou minha atenção foi o seu trajar, e a partir desse momento, parte das minhas recordações estão presentes.

Pensei que ele fosse um representante-participante-, da temida Organização Tradição Família Propriedade (TFP) de ultra Direita. Nos anos 60 e 70, eu vi em algumas ocasiões, -a mãe do meu filho era professora da Universidade Mackenzie- e quando eu ia ao seu encontro, eles desfilavam próxima a Universidade, e terminavam suas romarias em frente de uma casa localizada na Rua Maria Antonia que tinha em seu frontispício um pequeno nicho onde ficava guardada uma imagem religiosa. Os participantes vestiam coletes vermelhos longos, em suas mãos seguravam adereços-estandartes-, uns com símbolos bordados, outros imagem religiosa.

Os anos eram de chumbo grosso. A Tradição Família e Propriedade (TFP), o Comando de Caça a Comunista (CCC) grupo de Direita, seus participantes eram alunos da Universidade, e a Organização Bandeirantes (OBAN), grupo criado por alguns empresários paulistanos, tendo em seu comando um dos principais torturadores do país, delegado Sergio Paranhos Fleury, desenvolviam atividades repressivas com finalidades de desestabilizar e prender grupos contrários ao sistema.

O que provocou presença desse passado foi à roupa usada pelo meu ex-aluno: a tradicional jaqueta de mangas compridas com punhos de abotoar, camisa com colarinho, gravata, sapatos de solado grosso preta bico redondo.

A TFP era comparada a época, por determinados grupos ideológicos, e alguns étnicos, como versão brasileira da KLU KLUX KAN organização americana de ultra direita.

Depois desse momento desliguei o televisor e tentei dormir. Inútil, agora não é mais o passado que se revela e, sim o futuro

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Publicado abril 29, 2012 por heitordacosta em Recordações

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