Cabeças Pensantes atentem e vigiem   Leave a comment

Foto-Heitor    DOSSIÊ

 

Atendendo pedidos através de emails reapresento texto de um trecho do meu livro “DOSSIÊ”.

 

A minha preocupação além de preservar a integridade da Justine é, ter alguém em condições de lutar pela libertação desses companheiros. Estou com minha cabeça fervendo, porém nada posso fazer, encontro-me refém dos fatos. Acho que um banho nesse momento irá me ajudar.

Como imaginei a forte ducha me ajudou, ainda não havia terminado de me enxugar ,percebo movimentação de pessoas no quarto, saio do banheiro -mal tive tempo de vestir meu pijama- e vejo o Doutor Lagardaré, o Latif e, mais dois homens, altos e fortes. O Latif vem ao meu encontro, me abraça e diz que teremos de sair o mais rápido possível. O Doutor Lagardaré quer antes olhar as condições do meu joelho, -evolução do estado clínico- porém, de maneira enérgica, mas educada, o Latif diz não haver condições no momento, em seguida dirigi-se a um dos seus acompanhantes, chama-se -Issan-, transmiti-lhe uma ordem; que ele vá para o corredor e prepare nossa cobertura, ao outro, pedi-lhe que lhe ajude a me carregar. Fico entre os dois, com os meus braços aberto apoiados sobre seus ombros, em seguida minha cintura é enlaçada pelos braços deles, desse modo sou conduzido para fora do quarto. No corredor vamos à direção do elevador de serviço. O Latif segura em uma das mãos, -livre-, uma pistola Luger, com silenciador e, pente com capacidade para vinte balas, o outro do meu lado, -ainda não sabia o seu nome- segura uma metralhadora Uzzi, o Issan na nossa cobertura, empunha um fuzil Ak 47. A nossa frente o Doutor Lagardaré abre a porta do elevador, faz o sinal de que tudo está bem e, entramos. Vamos para o estacionamento de serviço do Hospital. Parado a nossa espera está a camionete -o Doutor Lagadaré veio nela-, ao volante encontra-se outro companheiro. A porta é aberta pelo Doutor, sô colocado no último banco, ele senta-se junto a mim, no outro banco vão os dois companheiros e, ao lado do motorista vai o Latif. O Doutor Lagardaré apanha atrás do nosso banco, uma manta de lã, -irá me proteger do frio da madrugada-. Atravessamos o Rio Sena, vamos a direção do sul. Usando a estação de rádio móvel ligada no carro, -kit car- Latif começa falar com alguém por código.

O que terá ido fazer em Tamanrasset a Veronique? O fato torna-se mais estranho por não ter o Jofre em sua companhia. Como deve estar sendo tratado pelos seus algozes o Doutor Helmut? O SIRAN deve ter sido informado, -quem será o informante?- Que ele era um colaborador importante do Partido Niilista Brasileiro, membro da Facção Boi Voador, -plantado dentro do maior Centro de Convencimento do Sistema-, então, acusá-lo de exercer atividades contra o sistema imposto pela Ditadura do Índice de Audiência, não seria de bom senso, pois se admitissem o fato ele iria revelar duas situações desfavoráveis ao Sistema. A primeira no mínimo seria um paradoxo. O Doutor Helmut ter um cargo elevado dentro de um dos Órgãos mais visado dentro do Sistema, a Clinica Psiquiátrica Los Caracolles dos Vierdes Campos, a segunda, se a descoberta viesse a público ela colocaria em xeque a “competência” dos Órgãos de segurança, abalando sua credibilidade.

Eu acredito que o Doutor Helmut passará -caso resista-, por momentos dolorosos, eles sabem que o Doutor é um renomado pesquisador, PhD brilhante na área da Patologia, sua prisão, -provocaria na comunidade cientifica uma reação de protesto mundial-, que favoreceria a ele, obter um status de preso político, e logo conseguir ser asilado em algum país. Porém de forma brilhante, -para eles-, resolveram transformar o Doutor Helmut em um asqueroso traficante de órgãos humanos. Enquadrá-lo como criminoso foi um meio cômodo, eficaz. Para justificar sua prisão ele foi “descoberto” maquiando vários óbitos. -Essa era uma das funções que ele exercia na Clinica-, para isso contava com a colaboração de sua assistente, Ertha Geringer. Também presa.

 

-Condor para Pérola, Condor para Pérola câmbio

-Pérola na escuta prossiga

-pegamos o pássaro no ninho, estamos voando juntos, câmbio

-muito obrigada, bons ventos câmbio.

Emocionado reconheço a voz da Justine. Latif desliga sem que eu fale com ela, entretanto, em seguida explica-me a sua atitude.

-Querido amigo, me perdoe por não ter lhe dado à chance de falar com a Justine, porém, logo chegarmos ao nosso destino você terá essa oportunidade, mas agora, os contatos terão que ser breves e, em código. Espero que você compreenda, estamos no meio de uma guerra não convencional e precisamos ter o máximo de cuidado.

-Mas qual é o nosso destino?

-Estamos indo para Loire

-para o Castelo da Justine?

-Sim

-mas, lá não é perigoso?

-O perigo neste local está neste momento sob nosso controle.

-Senhor Latif, a Justine me disse que eu deveria acatar suas decisões e, nelas confiar. Todavia, além da curiosidade, a necessidade de saber o que está acontecendo me assola neste momento. Até agora a única informação que eu tenho é relacionada à presença de agentes do SIRAN aqui.

-Existem muito mais coisas realizando-se inopinadamente.

-Por exemplo?

-Além dos agentes do SIRAN que vieram do Brasil agora, há a presença -oculta-, de vários membros de uma Organização chamada

-ZELOTES?

-Exatamente. No momento é com ela que teremos com que nos preocupar.

-Mas por que?

-Os integrantes dessa Organização, -ela existe desde do século lll a.C. Aproximadamente-, eles são cruéis, corruptores, criminosos desapiedados, a maioria ainda mantém no seu código genético vínculos de uma geração de prisco era os, DEICIDAS ! Eles apóiam e subjugam esses agentes.  O que nós sabemos é que no inicio houve uma divisão entre os judeus, -os saduceus e os fariseus-. Os saduceus eram o partido do establishment, que controlava o Templo, e eram mais condescendentes em sua interpretação da Lei; os fariseus eram mais rígidos, mais radicais e mais austeros, e usavam a tradição oral para impor minúcias legalistas a todos os aspectos da vida judaica. Uma das principais diferenças nas crenças das duas facções dizia respeito à vida após a morte: os saduceus eram agnósticos e os fariseus insistiam na imortalidade da alma, na ressurreição dos mortos e nas recompensas divinas para a virtude e na punição para o pecado no mundo vindouro.

 

Os fariseus foram os mais vociferantes na sua oposição ao domínio romano, e entre eles havia seitas austeras e fanáticas, como os essênios, que viviam em comunidades semimonásticas, e os Zelotes, uma facção Terrorista que desprezava não só os romanos, mas todos os judeus colaboracionistas. Eles enviavam assassinos conhecidos como sicários (do grego sikaroi, através do latim sicarïi, literalmente “homens do punhal”) para se mesclarem à multidão e assassinar seus inimigos. Um contingente de Zelotes da Galiléia que se refugiara em Jerusalém travava guerra de classes contra seus anfitriões. “9”.

Sua paixão pela pilhagem era insaciável; eles saqueavam as casas de homens ricos, assassinavam homens e violentavam mulheres por prazer, e brindavam aos seus espólios regados a sangue. Devido a puro tédio, entregavam-se descaradamente a práticas efeminadas, adornando o cabelo e vestindo roupas femininas, encharcando-se de perfume e pintando a área sob os olhos para tornarem-se atraentes. Imitavam não apenas o vestuário, mas também as predileções femininas, e em sua extrema torpeza inventavam prazeres ilícitos; chafurdavam no lodo, convertendo a cidade inteira num bordel e poluindo-a com as práticas mais sórdidas. Muito embora tivessem feições femininas, suas mãos eram de assassinos; aproximavam-se com seu jeito afetado de andar, inesperadamente transformava-se em lutadores e, sacando a espada de sob seus mantos coloridos, trespassavam quem por ali estivesse passando. “10”.

A qualquer outro povo eles sentem apenas aversão e hostilidade. Sentam-se isolados para fazer as refeições e dormem à parte, e, apesar de, como raça estarem inclinados à concupiscência, abstêm-se de manter relações sexuais com mulheres estrangeiras; todavia, entre eles própios nada é ilícito. “12”

-Senhor Latif mas nós não fizemos nada contra essa Organização. A nossa luta é desenvolvida em nosso país, lutamos contra a Ditadura do Índice de Audiência, a opressão, o direito de expressão, a liberdade a fraternidade, contra o analfabetismo, a exclusão social, a corrupção, a falta de ética, da moral, em defesa da família do direito de escolha da religião, do Deus, contra a descriminalização do assassinato do feto, das drogas, de uma paternidade responsável.

-Querido amigo; nada acontece sem o conhecimento e a autorização deles.

-Mas como iremos identificá-los?

-A nossa Organização há muito tempo conhece os métodos usados por eles

-Nossa Organização?

-Sim.

-Senhor Latif que Organização é essa?

-A FLUP

-A FLUP? O que quer dizer?

-Frente para a Libertação e Unificação da Palestina.

-Senhor Latif desculpe-me, mas a nossa luta não tem nenhuma relação ou conotação com esse conflito existente no Oriente Médio.

-Tem muito mais do que você pensa mas, essa é uma longa história. No momento oportuno você tomará conhecimento dela. Mais posso adiantar-lhe que a FLUP, Frente para Libertação e Unificação da Palestina, é uma Organização Política e, eu sou seu líder, e a nossa participação e reivindicações são pacíficas, porém, há ocasiões que temos de usar meios não diplomáticos e, táticas beligerantes, para defendermos a nossa integridade e assim possamos, prosseguir na luta em defesa dos nossos objetivos.

-Senhor Latif, eu estou meio atordoado e confuso, pelo que eu sei, o senhor é de origem libanesa, empresário do ramo têxtil. Admitindo que haja, -ocultamente-, admiradores da causa Palestina eu jamais poderia imaginar que o senhor fosse um deles, quiçá, participante dessa luta.

-Senhor Daniel, eu não sou Libanês, sou Palestino. O que a nossa Organização busca junto à comunidade Internacional é, justamente o entendimento e, o reconhecimento dos nossos direitos, -os que foram usurpados e, os que nesse momento estão sendo tomados-. A nossa Nação tem o direito de ter de volta seu solo, reconhecida sua Pátria, o direito a vida. Essa carnificina comandada por esses sicários precisa ter um fim.

Hamede, tenha cuidado, logo à frente a uns cinqüenta metros, há uma curva para a direita perigosa, e na seqüência a redução de duas faixas sobre uma ponte de trinta metros de extensão. Fique bem atento, pois não dá para cruzar com um caminhão sobre ela.

–Senhor Latif não seria conveniente eu conhecer os membros de sua Organização?

-Querido amigo, não faltará oportunidade, quanto a esses companheiros, eles pertencem a uma ala, -especial-, como lhe disse antes, somos uma Organização Política mas às vezes temos que abandonar a diplomacia, nessa ocasião nós temos que chamar os nossos amigos; o Hamede é o nosso motorista, os outros dois companheiros, um chama-se Issan,e o que você ainda não ouviu seu nome é o Abdul.

-E o senhor Doutor Lagardaré? Também é integrante da Organização?

-Senhor Daniel eu sou admirador da causa, além disso colaborador.

-Então, somando, no momento somos cinco e meio, -contando comigo-, agentes da FLUP lutando contra o SIRAN e, a Organização dos ZELOTES.

-Tem muito mais gente. Há um comando no Castelo, outro em Argel, mais um em Paris, além do nosso. O dia está surgindo, ainda bem que nesta região o trafego nessa auto-estrada é esporádico. Estamos quase chegando, logo tomaremos o controle da situação. Abdul, dê ao senhor Daniel um dos nossos relógios.

-É especial senhor Latif?

-Sim, mas também registra as horas, ele é muito usado pelos membros de nossa Organização, Ele é rastreado por Satélite, tem um sistema de GPS e Bip, -localizador, que através das coordenadas, latitude, longitude favorecem a rápida localização-. O exército americano usou no Oriente Médio para resgatar pilotos de aviões abatidos no deserto. Também por intermédio dele descobrimos o assassinato de um nosso colaborador, o Senhor Grenobelle

-O diretor financeiro da Maison?

-Sim

 

-Mais, muito, mais, eternamente-.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Publicado janeiro 6, 2009 por heitordacosta em Livros

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