Cabeças Pensantes atentem e vigiem   Leave a comment

 

  Foto-Heitor                Deus e o Vento

 

DEUS E O VENTO
"Ao receber de Deus a notícia de que seus dias chegavam ao fim, Moisés teve uma única
inquietação, a preocupação natural de um verdadeiro líder:
“Senhor, Deus dos Espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre esta congregação,
que saia diante deles, e que entre adiante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar;
para que a congregação de Deus não seja como ovelhas que não têm pastor.” (Num, Cap.
XXVII, v. 16-17)
A apreensão de morrer e deixar a congregação sem um pastor que lhes guiasse nos
caminhos da Torá, induziu as palavras de súplica reproduzidas acima. Este pedido
exemplifica e resume a vida de Moisés, um homem totalmente dedicado ao seu povo e a
sua missão.
Entretanto, neste pedido há uma estrutura incomum no texto bíblico. Moisés refere-se a
Deus como o “Deus dos Espíritos”, Elokei Haruchot. Esta expressão foi usada somente
duas vezes em toda a Torá. Naquele momento e no episódio de Korach, quando Moisés
pede que o povo não seja castigado indiscriminadamente pela revolta de Korach, mas,
somente os que dela participaram.
Rashi, baseando-se nos Midrashim, explica esta expressão nos dois lugares e o ponto em
comum seria o poder divino de conhecer o espírito diferenciado de cada cidadão do povo.
Somente o Deus dos Espíritos é capaz de analisar o intimo de cada pessoa e não aplicar
castigos coletivos, mas somente o merecido por cada um e conforme o seu nível de
envolvimento no erro. Somente o “Deus dos Espíritos” é capaz de empossar um líder que
possa governar conforme a necessidade de cada cidadão e não de forma generalizada.
Esta é a forma mais comum de entendimento desta expressão. O Deus que conhece a
fundo todos os espíritos. Porém, a palavra Ruach (singular de Ruchot) não significa apenas
espírito, ela tem como sinônimo também a palavra vento e, sendo assim, Moisés teria
chamado o Eterno de “Deus dos Ventos”, o que abriria uma porta para um novo
entendimento deste texto bíblico.
Para este novo entendimento é necessário, primeiramente, entendermos os dois momentos
nos quais Moisés usou esta expressão. Foram ocasiões extremamente delicadas na vida do
condutor do povo hebreu.
No episódio de Korach, a autoridade de Moisés como líder de Israel fora posta em dúvida.
Aquele que, literalmente, sacrificara sua vida para salvar o povo, era então questionado.
Um homem de quase 120 anos de idade que caminhava pelo deserto guiando o rebanho de
Deus, ouvindo desaforos e administrando rebeliões, agora era desafiado por seus próprios
protegidos. A reação natural de qualquer indivíduo seria abandonar o cargo ou vingar-se
impiedosamente dos revoltosos, porém, ele não somente não o faz, como ainda ora ao
“Deus dos Ventos” para que não aplique um castigo demasiadamente rígido à
congregação.
No episódio desta Parashá, ao ser anunciado o seu falecimento em breve, surgiu a
preocupação da sucessão. De forma natural, Moisés estava desejoso que seus filhos o
sucedessem no cargo, entretanto, Deus lhe comunicou que isto não aconteceria, pois os
filhos não se esforçaram no estudo da Torá e seu fiel discípulo, Yehoshua (Josué), iria
substituí-lo. (Midrash Raba Bamidbar cap. XXI par. 14)
Podemos imaginar o impacto que esta notícia causou a Moisés. Saber, ao final da vida, que
seus filhos não eram dignos para o cargo não fora, de forma alguma, um modo feliz de
finalizar seus quarenta anos de dedicação ao povo. Porém, novamente, o líder demonstra
sua hombridade e reza outra vez ao “Deus dos Ventos” para que designe um líder
apropriado ao povo e que este saiba lidar com todas as intemperanças do rebanho Divino.
Analisadas estas duas ocasiões, resta-nos analisar o vento. Ele é uma das intempéries que
mais assusta os seres humanos. Formando seus furacões e tufões e trazendo destruição.
Mesmo os ventos mais fracos têm a propriedade de desorganizar. Eles despenteiam
cabelos, movem folhas e objetos, batem portas e janelas e bagunçam tudo que estiver à
volta.
Moisés percebeu que naqueles dois momentos um vendaval passava por sua vida. Viu seu
cargo e sua família sendo despedaçados e desorganizados. O que fora tão claro como a sua
liderança, uma escolha Divina, e como a sucessão familiar, afinal eram sangue de seu
sangue, não estava mais tão claro assim. Um furacão estava a desorganizar aquilo que ele
tinha dado como certo. Ele rezou naquele momento para que o Deus que controla os
“ventos” lhe desse força de sobreviver a esta tempestade. Sua prece foi ouvida. O cargo
lhe foi mantido e ele angariaria forças para rezar em defesa do povo sem despejar sua ira
contra todos os insurgentes.
No caso dos filhos, lhe foi dada a compreensão para que sua preocupação fosse sanada.
Moisés entendeu, após a resposta dada por Deus, que somente uma pessoa da estatura de
Yehoshua, que havia dedicado toda a sua vida, com afinco, ao estudo e cumprimento da
Torá, poderia ser aquele fiel pastor, conhecedor de cada indivíduo de Israel. Desta forma a
frustração de Moisés fora dissipada.
Invariavelmente, ventos passam por nossas organizadas vidas. Muitas vezes não somos
capazes de compreender as novas situações as quais somos expostos ou não podemos
suportar as decepções causadas pelas novas percepções. Moisés nos ensinou nestas duas
ocasiões que existe um Deus que, além de conhecer nossos espíritos, nosso intimo, é
também o responsável pelos “ventos”. Ao termos a clara noção de que o Deus dos
Espíritos é também o Deus dos Ventos, automaticamente alcançaremos a compreensão de
que tais intempéries que advêm da mesma fonte são para o nosso bem. Aquilo que nos
parecia certo e organizado, talvez, precisasse de uma “sacudida” para que novos e
verdadeiros aspectos fossem revelados.
O “Deus dos Espíritos” revelou a Moisés que, no intimo, seus filhos não eram aquilo que
ele imaginava serem. O “Deus dos Ventos” mostrou a Moisés que, embora todas as
revoltas, ele realmente era o que imaginava ser.
Os ventos bagunçam, porém, quando eles advêm do Senhor dos Ventos, têm como
finalidade mostrar a verdadeira ordem por de traz da bagunça."

 

–Bem, eu pretendia escrever sobre o vento, porém, esse trecho bíblico com tratamento figurado sobre o tema chamou minha atenção. Embora não seja judeu achei-o interessante.

—Mais, muito mais, eternamente-.

Anúncios

Publicado outubro 13, 2008 por heitordacosta em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: