Cabeças Pensantes atentem e vigiem – Trecho do Livro DOSSIÊ-   Leave a comment

       
 
                             Cabeças Pensantes atentem e vigiem
                                                             
                                                            Trecho
 
 
            

Cabeças Pensantes atentem e vigiem

Trecho

 

Nesse ínterim, o empresário Latif vem se reunir a nós. É informado dos acontecimentos pelo embaixador Alfredo, ele imediatamente me parábeniza. Aproveitamos todos e, mais uma vez brindamos. O general Adalberto ensaia um rápido comentário sobre o plano:

-queridos amigos, com relação ao plano que nos foi apresentado, aliás, diga-se de passagem, está bem elaborado, mas acontece se tratando de conflito beligerante, eu só conheço dois caminhos que nos levam a Vitória; o primeiro depende ter um bom exército, moderno equipamento e, tecnologia de ponta. O segundo é um pouco mais sombrio, pois implica no uso da corrupção, – o inimigo oculto, – e ter a disposição muito Ouro.

-Aproveito bebo um pouco mais de champanhe. O Jofre ri, o Latif acha que a segunda variável é privilégio de poucos. O embaixador Alfredo pondera. -No surgimento da humanidade e durante o seu desenvolvimento assim como na formação das sociedades, estavam os homens dominados pela força bruta e cega; depois eles são submetidos às leis, que na realidade não é outra coisa que a mesma força disfarçada. Esta consideração me leva deduzir, acrescentando a observação do Senhor Latif que, o uso do Ouro é ideal e eficaz, entretanto, não está ao alcance de qualquer Ditador ou exército e, ainda oculto, não se sabe por quem, assim, devo admitir fixando-nos na lei natural, o direito reside na força.

-Aproveito o silêncio que a fala do embaixador Alfredo provocou e, bebo mais um pouco do meu champanhe. O Latif, ele é do tipo bonachão, alto forte, tem suas bochechas um tom rosáceo, um espesso bigode é destaque num rosto largo gordo e, alegre. Aproveita a ocasião-a pequena pausa, – para acender seu charuto Cubano. Vieram de Varadero, – presente da Justine-. O general Adalberto revela um sorriso meio sinistro, – canto de boca, seus lábios se contraem como se fosse um tique nervoso. – Eu acho que há alguma diferença entre ele e o embaixador Alfredo, nunca entendi direito qual é o sentido de manter-se um oficial superior no exercício de uma função diplomática no exterior, será isso?

Voltando ao debate eu aproveitei argumentando que se fosse prevalecer à força, como supõem o embaixador Alfredo as nossas propostas estariam com grandes possibilidades de conseguirem sucesso, pois além das estratégias adotadas pelo nosso exército, teriam elas ao seu alcance, a sua disposição, instrumentos e tecnologia modernos, a força do poviléu, e o nosso Ouro. Nesse momento o general Adalberto assume uma atitude que surpreende a todos; -abandona bruscamente sua taça com champanhe de maneira rude sobre a mesa, – empedernido afirma: isso não acontecerá em hipótese alguma! Em seguida se afasta do grupo. O Latif tenta contornar o constrangimento que o general Adalberto provocou, minimizando o fato, atribuindo tal comportamento ao efeito do champanhe. O contra tempo oferece-me uma oportunidade para que eu efetue uma retirada na direção ao interior do Castelo. Justifico-me ao embaixador Alfredo, e ao Latif ser necessária neste momento a minha presença junto a Justine. O Jofre me segue. Coloco as minhas mãos juntas, próximas do meu rosto – através dessa expressão -dou a entender a ele que irei dormir. Ele compreende e volta para perto do Latif.

Justine não estava no escritório, tampouco o Gedenilson. Resolvo beber mais champanhe, porém, não quero voltar para a festa. Encontro com monsieur Jugnot no salão, indago-lhe onde eu poderei encontrar champanhe, ele diz que irá providenciar e, pergunta-me aonde eu irei ficar, peço-lhe que a leve para minha suíte. Subo a escada que acessa aos meus aposentos, encontro com a Veronique no corredor, ela me informa que o meu banho já está preparado, talvez a água esteja um pouco quente, pois não imaginava que eu fosse chegar naquele momento. Agradeci-lhe e entrei no quarto. Encontro em cima de uma mesinha de canto, – peça que ornamenta a saleta que antecede o cômodo, – uma maleta pequena térmica, dentro, uma garrafa de champanhe.

Um envelope, papel de linho branco perfumado, encontra-se apoiado na lateral da maleta. O pego, e, retiro de dentro dele um formulário com a logomarca da Maison, nele Justine escreveu.

“Querido, sei que as nossas emoções estão em um nível à cima do pico do Monte Everest. Apesar de a lua ter surgido não importa; para mim continua um lindo e glorioso dia.

Não sei a que horas você terá tido conhecimento desse convite que eu lhe faço com o maior carinho.                                                                                                                                                                   Encontro-me na Torre leste, nos aposentos que a plebéia Camile Fremontier, -como era hábito naquele tempo, usou até o dia de suas núpcias, – quando o então Rei, Alexandre de Coteville seu amo e, senhor, veio buscá-la.

Pedi a Veronique que lhe preparasse um relaxante banho. Querido, seja o tempo que for, estarei lhe esperando. “Não deixemos acabar esse dia”.

 A Veronique havia me dito que a temperatura da água do banho talvez estivesse acima dos 37 graus, mas eu até achei agradável, também os sais que ela colocou na água, -não sei os seus nomes- provocaram em mim um maravilhoso relaxamento. Só após esse banho é que pude perceber o quanto estava tenso.

 A escada tem seu piso de pedras, é larga em caracol. Um grosso tapete vermelho comprido cobre toda extensão – feito uma passarela-, abafa o ruído dos passos. São cinco lances – equivalentes a cinco andares de um prédio moderno, até chegar a Torre. As paredes são feitas de paralelepípedos, nelas archotes acesos iluminam o caminho. Em alguns trechos, pendurados estão escudos, lanças, armaduras, brasões. Duas armaduras estão postadas na entrada, -única, – da Torre. Uma ante-sala precede a alcova. É grande, seu piso também construído com pedras, coberta em sua maior parte com um imenso e macio tapete de cor azul. Um quadro renascentista – o nascimento de Vênus, – de Botticelli, entre tapetes persas, lanças, espadas, escudos e, uma imensa foto, de Justine, reveste as paredes. Rosas vermelhas -polpudas- em vasos de cristal, dispersos pela sala, perfumam e enfeitam o ambiente. A iluminação é tênue, provém de um imenso lustre -candelabro- de cristal onde velas de cera, emanam perfume de cítricos e de flores ao local. Atravesso a sala, paro diante do umbral da porta que separa o lugar de onde estou do quarto. Ali, recostada em um canapé, forrado de cetim na cor amarelo -limão, – a majestosa, deslumbrante, sedutora, Justine Alcântara, aguardando minha chegada, linda perfumada irresistível!

O chão é de pedras lisas e brancas, – lembram o mármore, – os estofados do quarto são em estilo clássico, as poltronas, tem listras e poás em seus revestimentos. Todas ostentam tonalidade clara. Próximo do canapé, uma grande cama redonda, sobre ela pétalas de rosas vermelhas, ao lado Justine usando um vestido de gaze de cor branca transparente. -Na minha mente vieram recordações de trechos do ritual Hieros Gamos-.

No lado oposto há um closet, ali, uma grande banheira redonda convidativa para dois, Está pronta para ser usada, água quente cheia de espuma perfumada de uma leve fragrância. Enormes espelhos estão colocados em sua volta. Através deles nada fica oculto. O piso nesta parte é todo de madeira, – como fosse um deck-. A arquitetura interior lembra o estilo gótico, arcos medievais dão forma ao teto e, aos umbrais das portas que separam os ambientes. Justine abre seus braços para me receber – ainda está recostada no canapé. Aproximo-me dela; Justine meu querido amor, como você está linda!

-Querido como é maravilhoso ter você ao meu lado, assim tão junto. Sonhei várias vezes com esse momento. Nada mais poderia querer da vida; você e depois, a vitória de nossa causa.

-Justine minha amada; deixe-me sentir o teu calor, quero cobri-la de beijos, carícias. Perder-me nas curvas do teu corpo, nele, cavalgar pelas planícies dos sonhos, das paixões, e no auge desse prazer, alcançar o limite extremo do Universo.

-Beije-me meu adorado amor, devora-me com o teu ardente desejo, quero sentir esse músculo rijo imponente, soberano, por intermédio de ele desejo obter o mais alto grau de excitação dos meus sentidos, durante esse delírio incontido, afogar-me no oceano de amor e prazer, na sublime seiva da vida que o teu gozo me oferece.

Foi uma longa noite de amor pleno!

 -Trecho do meu LIVRO DOSSIÊ.

 -Mais, muito mais, eternamente-.

 

 

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Publicado agosto 26, 2008 por heitordacosta em Livros

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