Cabeças Pensantes atentem e vigiem – Trecho do meu LIvro DOSSIÊ   Leave a comment

 
                        Cabeças Pensantes atentem e vigiem
 
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Cabeças Pensantes atentem e vigiem

Trechos

-Você está pensando se convém ficar aqui?

-Justine perdoa-me, eu dei um profundo mergulho no vácuo do tempo. Tentei encontrar algumas explicações para determinados fatos.

-E o que encontrou querido?

-Nada.

-Então a tua experiência não foi em vão. Não será o nada, o começo de alguma coisa?

-NÃO!

-Querido Daniel, procure relaxar, eu imagino o quanto você deve estar desgastado. Preste atenção querido no que irei lhe falar; amanhã no inicio da tarde, eu farei uma rápida viagem, dois dias no máximo. Irei levar o Gedenilson ao encontro da Heleninha.

-Mas ela não está asilada na Argélia?

-Sim, mas, eu tenho que cumprir com a minha palavra. Quando a Heleninha conseguiu o asilo, – todos os preparativos e contatos com as autoridades dos paises envolvidos foram realizados por meu intermédio-. Naquela ocasião a Heleninha me fez jurar, que eu faria de tudo para libertar o Gedenilson e, quando isso acontecesse, deveria levá-lo ao seu encontro.

-O Gedenilson está ciente?

-Não. Justine há um fato muito preocupante. Desde que saímos daquele lugar, o Gedenilson em momento algum manifestou interesse de procurar sua madrinha, ou então, telefonar saber noticias dela.

-Querido Daniel, a dona Dulce é falecida.

-Quando aconteceu?

-uma semana antes da fuga.

-Ele foi informado?

-Saberá pela Heleninha.

-Mais uma perda. A vida é uma longa estrada com várias curvas, e nelas, sempre perdemos pessoas queridas. Justine eu estou pretendendo retornar para o Brasil, mas antes, após o seu regresso, quero ter com você uma conversa sobre a nossa caminhada nessa estrada -causa, – ela é muito sinuosa.

-Querido, por que não vamos juntos a Argélia? Olhe; deixaremos o Gedenilson com a Heleninha, em seguida poderemos fazer um passeio até o Egito. Descansaremos ali por alguns dias, depois poderemos ir

-Justine, eu preciso parar um pouco, realizar uma profunda análise de toda a situação vivida nesses últimos tempos.

-Diga-me querido, além do cansaço o que mais está lhe afligindo?

-A causa. A Ditadura do Índice de Audiência! Como a combatemos a nossa participação, as nossas vidas, os paradoxos a nossa utopia.

Nós não perguntamos ao povo se ele quer mudanças. Você não acha que o povo já tem idade suficiente para saber o que lhe agrada? Esse eterno paternalismo, -que lhe oprime- e, começar assumir atitudes que lhe possam permitir escolher, – o povo para o povo pelo povo, – isso é bom, isso não serve.

-Querido você esta me querendo dizer que precisamos reconsiderar as decisões, ações, as nossas propostas?

-Justine, como observou o nosso amigo embaixador Alfredo, o nosso inimigo, não é nenhum qualquer. O seu exército, – parte da Mídia, – tem uma mobilidade excelente, é bastante flexível, atuando em várias frentes ao mesmo tempo. O seu poder de convencimento é muito abrangente quase irresistível. A sua principal arma -letal, – é mais poderosa que uma bomba de hidrogênio. Ela explode nos lares, no seio das famílias. Aparentemente, sua força nociva destrutiva não provoca dor, ao contrário, oferece uma falsa ilusão, a sensação de igualdade com o personagem -herói, – o mentiroso tenebroso enredo, que lhe é enfiado cérebro adentro, em nome da Ditadura do Índice Audiência. Há pouco tempo o brilhante jornalista Fausto Wolff publicou em sua coluna diária no Jornal do Brasil um trecho do livro escrito pelo Sr Zbigniew Brzezinski –ele participou do governo Carter- onde diz. –Rumamos para uma combinação do apoio de milhões de cidadãos não-coordenados ao alcance de personalidades magnéticas e atraentes que exploram, efizcamente as mais avançadas técnicas de comunicação para manipular as emoções e controlar e razão. –  Parte desses meios de comunicação possuem capacidade de causar prejuízos graves as famílias, apresentando uma visão inadequada e mesmo deformada da vida, da estirpe, da religião e da moral. A força da Mídia é capaz de ser tão grande que os homens, mormente se desprevenidos, dificilmente podem dar-se conta dela, dominá-la e, se for o caso rejeitá-la.

Os nossos erros surgem quando repetimos atitudes e ações realizadas pelos senhores que tem o hábito de reter em suas mãos os meios, entre alguns a -força- que lhes permitem alterar, e modificar o curso do momento histórico, incessantemente de maneira que lhes seja favorável. Na relação, “poder e povo,” quando se propõem algo, o primeiro, sempre sairá beneficiado, quanto ao segundo, ele jamais terá outra alternativa, a não ser, aceitar, o que já lhe será suficiente na sua participação, pois ele, povo, não tem voz!. Tudo que lhe chega às mãos -dado, – é bem recebido, acostumou-se a ser dependente, não discute se lhe interessa aceita, não importa se o pão que lhe dão a comer esteja bolorento. Os seus valores estão distantes da sua realidade da sua identidade. Os seus sonhos de consumo são virtuais. A cocaína -virtual, – tem mais poder, ela sai pelo vídeo da sua Televisão, entra em todos os lares, seu uso está descriminalizado, -porém, não identificado- e, através dela, -ação, – a sua participação lhe permite transformar-se em um mutante utópico; não precisa esperar mais pelo período momesco para vestir sua fantasia, ir brincar com a sua ilusão. O aqui, agora, rei, príncipe, mocinho, herói. O poder de escolher o tipo de mulher que lhe fará companhia, nada de Sandra, Marly, Maria, Arlete. Agora só Top Girl; Kelly, Camila, Daniela, Vanessa.

O sonho da infância, – o carrinho de madeira, restos dos caixotes da feira, e as rodinhas com rolimãs-, não chegam mais no gueto. Ali agora, só passam carrões, foguetes, aviões, motocicletas, desilusões, ilusões. -Eu consigo ser o que não sou!-

-Querido, eu preciso de ajuda; deixe-me beber mais um gole do vinho. Tome você também. No momento estou carente, da sua ajuda. Tudo isso que você vê, – não falo sobre o que acabo de ouvir, pois ainda não entendi direito, -estou me referindo ao lugar onde nos encontramos, das pessoas presentes, do tipo de vida que eu levo dos meus ideais, dos meus desejos -inclusive os ocultos- da nossa causa, e agora, principalmente você.

O luxo, a riqueza, fama, a solidão, fazem parte dos meus dias. O amor? Não seria justo tê-lo. Eu tenho quase tudo, porém, meu coração sente falta de um grande amor. A minha família ficou reduzida o meu pai, mas sua idade está avançada. Essa riqueza que me chegou às mãos, – estou fiel depositária de uma pequena parcela dos bens do Universo, – me trouxe muitas preocupações quanto à maneira de administrá-la e, também, através do meu livre arbítrio, distribuí-la. Uma parte desta fortuna eu aplico em imóveis. É uma forma segura de investimento em regimes capitalistas. Tenho quarenta e cinco por cento das ações da Trade Company Gens, empresa que explora no território Munquelê, no centro-oeste africano, mina de diamantes.

-Justine, eu imagino ser possível, se ficarmos falando sobre esse assunto, amanhecer, ainda assim, você não terá terminado a relação, o demonstrativo do seu poder econômico.

-Querido para sua informação, talvez um ano levasse para listá-los. Porém, não é sobre isso que estou falando. Quando mencionei, destaquei alguns valores, fi-lo com a intenção de mostrar-lhe que a falta de poder econômico em relação à manutenção da nossa causa, da nossa luta, não existe e, não será motivo para que provoque uma desistência. Muito pelo contrário; é mais fácil um motivo fútil, nos afastar dos nossos objetivos, do que faltar recursos para levarmos os nossos sonhos em frente. Quanto ao paradoxo, não é preciso falar sobre ele agora; enquanto eu existir, sonhar e, puder alimentar esses sonhos. Então querido, para que você finalmente aquiete seu espírito, eu a partir desse momento coloco-me a seu comando, ouvirei atentamente suas observações, acatarei as correções, discutiremos qual estratégia iremos adotar, não importando o quanto isso nos custará financeiramente, quero também dizer-lhe nesse momento, que LHE AMO, AMO MUITO! Sempre lhe amei. Eu preciso muito de você! Farei qualquer coisa para lhe fazer feliz. Não haverá mais desencontros em nossas vidas.

-Justine, houve uma fase em minha vida que tudo faria o permitido a um mortal, para dizer-lhe algo parecido. Mas, antes da chegada daquele esperado momento, um instante me revelou espantoso fato, que provocou um efeito devastador na minha ilusão, nos meus sentimentos. Só depois de um longo espaço de tempo, consegui através dos inúmeros desencontros a cicatrização desses ferimentos.

-Trechos do meu livro DOSSIÊ.

-Mais, muito mais, eternamente-.

 

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Publicado agosto 25, 2008 por heitordacosta em Livros

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