Cabeças Pensantes atentem e vigiem -AMAZÔNIA-   Leave a comment

                                          
                                                               Cabeças Pensantes atentem e vigiem  -AMAZÔNIA-
 
  Foto-Heitor                        
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 Em 26 de junho, um dia seco e frio para os padrões da Amazônia, uma patrulha armada da aviação militar do Peru abateu a tiros, bem perto da fronteira com o Brasil, um bimotor Cessna usado pelo narcotráfico. Aquele “vôo ilícito” , como é qualificado formalmente, começou no interior do Peru, entrou no espaço aéreo brasileiro e seguiu em direção ao sul, sobre a linha da fronteira. Um dos centros do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), mantido pelo Brasil, alertou a Força Aérea peruana, que despachou para a área dois turboélices Tucanos A-27 armados com metralhadoras.

 Os Tucanos passaram a ser orientados também por uma aeronave de rastreamento eletrônico. O relato do piloto, que não pode ser identificado, é sucinto: “O bandido foi chamado pelo rádio e não respondeu. Fizemos o sinal internacional para nos seguir e ele não obedeceu. Fizemos um disparo de advertência e ele passou a voar mais baixo ainda, tentando escapar, não deixando outra escolha que não fosse abatê-lo.” O bimotor explodiu no ar.

 Uma semana mais tarde, um episódio semelhante foi registrado na Colômbia. Um Super Tucano da Força Aérea local obrigou o piloto de outro vôo irregular a fazer uma aterrissagem de emergência a 120 quilômetros da fronteira com o Brasil. Mais uma vez parte dos dados usados na interceptação foi fornecida pelo Sivam. Nos dois casos, as autoridades não divulgaram detalhes sobre a procedência do avião, sua carga e a identificação dos ocupantes.

 O fato é que os radares do Sivam têm permitido que a parceria entre o Brasil e países vizinhos produza resultados no combate contra o tráfico e a guerrilha na Amazônia. De 1º de janeiro a 10 de setembro deste ano, segundo a Polícia Federal, foram apreendidos 2.100 quilos de cocaína pura em Manaus e Tabatinga, cidade na fronteira com a Colômbia.

 A mais notável façanha ocorreu em junho de 2003. Um jato R-99B de sensoriamento remoto – o que significa considerável capacidade de espionagem eletrônica – decolou da base de Anápolis, em Goiás, com a missão de apoiar uma operação de resgate de 74 reféns tomados por guerrilheiros no Peru. A maioria dos reféns era de funcionários da empresa argentina de engenharia Techint, que trabalhava na construção de um gasoduto na província de Ayacucho. Havia também alguns oficiais da Polícia Nacional peruana. Os guerrilheiros eram 13 homens e 2 mulheres do grupo Persistir na Luta, uma dissidência do Sendero Luminoso.

 O R-99B fez um sobrevôo de duas horas sobre a mata cerrada onde o grupo estava escondido. O mapa de coordenadas desenhado com os dados recolhidos com base nas emissões de rádio dos guerrilheiros permitiu a localização exata do esconderijo. Com a aproximação das forças especiais peruanas indicada pela presença dos helicópteros que transportavam as equipes, os guerrilheiros liberaram os prisioneiros em pequenos grupos, o que facilitou a fuga dos rebeldes e impediu o ataque da tropa regular. O resgate – estimado em US$ 500 mil, mais armas, munição e explosivos – não foi pago. O então presidente do Peru, Alejandro Toledo, negociou o apoio dos serviços do Sivam diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 Hoje, quatro anos depois de os pilotos de caça da aviação brasileira passarem a voar armados e autorizados a atirar para destruir aeronaves detectadas em vôos clandestinos, traficantes de drogas e contrabandistas de armas estão escapando do fogo por meio de três rotas. Sob a ameaça de serem interceptados pelos Tucanos e Super Tucanos da Força Aérea Brasileira (FAB), os criminosos passaram a usar pistas localizadas no Suriname.

 Segundo relatórios da área de inteligência do Ministério da Defesa, as aeronaves decolam no rumo do Oceano Atlântico com um só piloto, mas cheias de combustível guardado em tanques plásticos improvisados. Voando a baixa altitude, chegam às águas internacionais em menos de 20 minutos. Fazem uma grande curva fora dos limites da jurisdição brasileira e retornam, sempre rente à água, para pousar em pistas que ficam a, no máximo, 300 quilômetros do litoral do Norte ou do Nordeste.

 Também a partir do Suriname, mas na direção oeste, a linha de escape passa pelo espaço aéreo de vários países. Os aviões irregulares fazem um ziguezague, entrando e saindo do espaço aéreo brasileiro, ao alcance da rede de radares brasileiros, mas apenas monitorados na Venezuela e na Colômbia.

 “É nessa condição que os bandidos ficam mais vulneráveis e acabam surpreendidos”, relata um piloto de caça ligado ao sistema de bases de Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR). O pouso é feito na Bolívia ou no Paraguai, de onde a droga ou as armas são transportadas por terra.

 A terceira rota é a menos conhecida até agora. Todas as informações sobre ela são baseadas em dados fornecidos por meio de acordos internacionais de cooperação para o combate ao tráfico. Para chegar ao Sul do Brasil, aviões com maior autonomia partem da África, depois de saírem da Europa. A chegada se dá no extremo sul da Argentina – portanto, além do limite de ação do Brasil. A etapa final é feita por estradas secundárias até o Paraguai e, em seguida, pela fronteira seca, até pontos de receptação no Brasil.

 A documentação referente a tal situação tem sido encaminhada às Comissões de Defesa da Câmara e do Senado, sob cláusula de sigilo. Apesar da criação de rotas alternativas, o volume do “tráfego aéreo desconhecido ou ilícito” diminuiu, garantem os relatórios. A FAB não menciona números, alegando que, depois da vigência da Lei do Tiro de Interdição, “o sistema de detecção eletrônica foi expandido, o que pode dar a falsa impressão de que há mais vôos clandestinos, quando, na verdade, o que aumentou foram os meios de controle”, segundo nota oficial.

 A maioria dos aviões presos no Brasil a princípio não tem plano de vôo registrado. “Muitos dos pilotos não são habilitados. Há aeronaves sem documentação ou com homologação claramente fraudada”, conta um oficial da Aeronáutica. As 25 estações fixas e móveis de radares de superfície do Sivam atuam junto com os jatos R-99A de alerta avançado e vigilância mais os R-99B de sensoriamento remoto, ambos modelos fabricados pela Embraer. A empresa já entregou as primeiras 50 unidades de um lote de 99 Super Tucanos, o avançado avião de ataque que é o braço armado do Sivam.

 A tensão na fronteira noroeste e norte voltou a crescer depois da identificação de bases das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no município de La Tercera, perto da fronteira com o Brasil. Estão abrigadas na selva as Frentes 11 e 13 dos rebeldes, de acordo com informações da unidade de elite chefiada pelo general colombiano Oscar Naranjo, responsável pelo desmantelamento das operações conjuntas do narcotráfico e da guerrilha. As duas colunas são citadas em relatório da Diretoria de Investigações e Informações do Banco Mundial. De acordo com o documento, a guerrilha movimentou cerca de US$ 1 bilhão nos mercados financeiros nos últimos 20 anos.

 
-Mais, muito mais, eternamente-.
 

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Publicado dezembro 12, 2007 por heitordacosta em Notícias e política

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