Sonhos de uma Tarde de Verão   Leave a comment

  Sexy

Cabeças Pensantes atentem e vigiem

Sonhos de uma tarde de Verão

O ensaio tinha terminado, o programa era o que mais apresentava por metro quadrado as melhores mulheres da noite. Desde as certinhas do Stanislaw Ponte preta a Carlos Machado o-Rei das Noites Cariocas-. Carmen Verônica, Consuelo Leandro, Georgia Quental, Nélia Paula, Lady Hilda, Anilza Leone, Eloá, Angelita Martines, Esmeralda, Darlene Glória, Rose Rondeli, Sonia Mamede, Íris Bruzzi  e, outras que eu não lembro.

Eu tinha por hábito ir todo dia após o meu ensaio ao Arpoador no inicio do lusco-fusco, apreciar o por do sol. Mas, naquele dia resolvi subir ao segundo andar e olhar a orla de Copacabana da varanda do estúdio A. Era um lugar onde eu levava minha câmera e ficava captando imagens aleatoriamente e que o meu amigo Editor de Vt Paulo Cerqueira gravava para o nosso arquivo. A vista da orla era total do posto seis ao leme, Av. Atlântica ainda não fôra duplicada. Diante dessa magnífica paisagem flutuavam meus pensamentos, quando só trazido de volta a realidade ao receber um abraço de Julia –nome fictício- minha namorada.

Ela nascera na Paraíba, porém, seu biofísico, ostentava de forma marcante os traços do colonizador-holandês-. Eram altas pernas cumpridas bem torneadas seus cabelos ruivos, e um sorriso brejeiro que a todos encantava. Formou-se pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em artes plásticas. Na Televisão atua como cenógrafa sendo responsável pela criação de cenários de alguns programas que eu participo. 

Naquela época, anos 60, o nosso comportamento era voltado quase que em forma total a arte, embora todos fossem profissionais. –Pensar em arte, fazer arte e, viver e amar em outro plano-. Nossas referências iam de Jean Luc, a Antonioni, Fellini, ao cinema francês-a câmera passeando, revelando outras formas de planos-, tudo discutido, vivido nas mesas do Pigalle nos fins de noite.

Apesar de não haver quase realizações de programas em externas nós éramos vistos e considerados como pertencentes a uma classe privilegiada, distante daqueles pobres mortais.

Julia gostava de ouvir a minha opinião em relação ao seu trabalho sempre que criava um cenário novo. Assim, não poderia ser diferente naquela ocasião. Deixamos a varanda e adentramos no estúdio. O cenário estava sendo montado, Julia queria saber de mim se as alturas das tapadeiras laterais do cenário não estavam altas de mais para a iluminação, ou baixas para o enquadramento das camêras. Eu estava sentado na base de sustentação da câmera distante uns cinco metros de onde estava Julia, como o programa que eu iria participar só começaria mais tarde, decidi ali permanecer ouvindo e vendo a movimentação de Julia – uma bela mulher-. Imaginava os possíveis takes que eu poderia realizar, pois o cenário tinha elementos de decoração aérea – lustres- que ofereciam possibilidades de vários takes. Também imaginava ter Julia entre meus braços, mais tarde.

Vivendo esse momento mágico, sou surpreendido pela presença de uma pessoa de pé parada atrás de mim, que passando sua mão por cima do meu ombro, estendendo-a revela nela, uma bala de chupar. Viro-me para ver, era o maquiador -hoje seu nome é Rogéria- Ele diz. -Heitor alguém mandou para você. Olho em volta ninguém, digo-lhe em tom de gozação que ele fale para a pessoa vir e colocar em minha boca a bala.

Julia continuava empenhada na sua labuta, eu não dei importância ao fato, pois ali só existia gozadores, porém, logo em seguida, da mesma forma de como fui abordado pelo maquiador ,sou novamente, só que agora a imagen é outra. No primeiro instante tive dificuldade de ver quem era, mas quando se abaixou perto de mim, quase de onde estava sentado. Ela tira o papel que envolvia a bala coloca-a em sua boca  entre seus dentes e em seguida me beija, e sussurra no meu ouvido: vou te esperar no Pigalle depois do programa para irmos jantar. Levanta-se lentamente e com as passadas que lhe são peculiar -parece uma Gazela- sai do estúdio. Ela tem um metro e oitenta de altura também perna longa, uma das mulheres mais cobiçadas, sonho de consumo do imaginário popular. Ali, olho no olho. Isso só era possível pela lente da minha câmera. Não posso imaginar que isso seja real, eu sonho, mas seu perfume, a bala, não pode ser surreal. Julia ainda fala com seus carpinteiros pintores. Ela nada percebeu.

Assim começou meu romance com Carmen….. Durante dois anos maravilhosos vivemos o amor intensamente.

 Quanto a Julia, soube depois de três anos  passados, que ela havia sido detida dentro de uma célula estourada pelos Órgãos de repressão, e nunca mais soubemos de seu paradeiro.

 

-mais muito mais, eternamente-. 

 

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Publicado novembro 23, 2007 por heitordacosta em Entretenimento

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