Cabeças Pensantes atentem e vigiem   Leave a comment

 

Sexy Trecho Do Meu Livro  DOSSIÊ 

 

Súbito, vi-me cercado por quatro militares, todos com as patentes de oficiais em seus uniformes. Aparentemente não portavam armas. No caminho em direção ao elevador, o Alírio conseguiu falar após entrar na frente de um daqueles oficiais que me escoltavam; pediu-me que eu mantivesse a calma, pois já havia umas matérias prontas, contando sobre a minha ida forçada à sede do SIRAN, ela seria levada às bancas de jornal em edição extra, caso eu não voltasse no máximo dentro de quatro horas. Ele já havia providenciado tudo, até um advogado.                                                                                                                                          

 

Entramos no elevador, eu e os meus quatro acompanhantes. Na saída, vejo um  furgão estacionado, – era um carro caracterizado, de uma poderosa emissora de televisão, ”Planeta” percebo uma angústia no olhar do seu Antônio, preocupado comigo.  Pensei: menos mal, ainda há solidariedade. Tentei acalmá-lo dirigindo-lhe um aceno, dizendo-lhe: -será um breve passeio. Nesse instante sou empurrado para dentro do furgão, logo que ele começa a andar, recebo um violento soco no estômago, em seguida um capuz preto é enfiado em minha cabeça, os meus pulsos recebem um par de algemas. O homúnculo que me aplicou o soco foi justamente o que estava sentado em minha mesa de trabalho. Nunca irei esquecê-lo, sua imagem ficou gravada em minha retina.

O trajeto, imagina que tenha levado uma hora, apresentava muitas curvas, havia congestionamento, barulho de motores acelerando, sons repetidos de buzinas tocadas desvairadamente. Dentro do furgão foi mantido por eles um silêncio absoluto, até a chegada à sede do SIRAN  à famosa clínica psiquiátrica Los Caracolles dos Vierdes Campos.

 

O prédio, um casarão ostentando traços de arquitetura francesa original, embora ainda guarde traços do estilo art-decó, mantém funcionando, podemos chamar parte social; uma biblioteca, sala de musculação, piscina aquecida, salão de beleza, salão de festas e uma boate. Essas atividades têm sua área de atuação própria localizadas e separadas no interior central do imóvel.

Imponente, ele está erguido no centro de uma área medindo aproximadamente uns vinte mil metros quadrados. A sua volta estão localizados os jardins, muitos bem cuidados e, um gramado com duas espécies de grama, com tonalidades diferentes, apresentando em uma parte um verde musgo e na outra, uma verde piscina. Desenhos feitos com flores silvestres apresentam formas geométricas. Fileiras de palmeiras e flamboyants ornamentam as laterais das aléas por onde passeiam os pacientes da clínica.

As atividades ”sociais e clínicas” desse lugar servem como maquiagem aos verdadeiros propósitos, o confinamento de presos e seqüestrados políticos, para ali conduzidos. O público que ali comparece, pertence às elites dominantes, associações e organizações de extrema direita, identificadas com o sistema. A maioria, alienada, sequer sabia ou desconfiava que os porões úmidos e sombrios fossem câmaras de tortura.

 

A propriedade imóvel tem quatro pavimentos: o térreo abriga as atividades burocráticas e uma recepção que controla os acesso a uma área reservada (os porões). A outra entrada independente, lateral, conduz ao primeiro andar, aonde várias salas abrigam as atividades sociais. No segundo andar encontram-se as salas e gabinetes. Nesse lugar, falso ”médico” e, seus superiores disfarçados atendem os internos (presos políticos).

Os dois últimos andares são destinados às enfermarias e quartos especiais dos pacientes ali internados. A maioria telespectadora obsessiva parenta de funcionários do alto escalão do governo, portadores de necessidades especiais; distúrbios emocionais, dependência química, esquizofrenia, idolatria, problemas neuro vegetativos, psíquico somático, descoordenação motora e alienação.

Na parte dos fundos da clínica há um heliporto e próximo dele um prédio de dois andares, com paredes laterais lisas, sem janelas, todo em concreto. Sua arquitetura é semelhante a um bunker. O acesso ao seu interior é feito através de uma única entrada. Para ingressar neste lugar o visitante é obrigado antes se submeter a uma rigorosa sabatina e minuciosa revista; (os agentes de segurança haviam sido treinados pelos temidos agentes do MOSSAD).

As visitas, raras, só acontecem quando o ”interno” tem grande expressão, política, social ou religiosa, em nível nacional e internacional e a cobertura da ala progressiva da igreja. A recepção também controla uma passagem secreta que liga a ante-sala do prédio, ”centro de triagem” aos porões da clínica. Os presos assim que chegavam, eram conduzidos para esse prédio e colocados nesta sala de espera. Os primeiros contatos com seus inquiridores eram feitos ali. No andar de cima há celas. Às vezes acontecia do preso primeiro ir para este lugar e ali ficar por tempo indeterminado. A tal tortura psicológica.                                                         Nos fundos do pavimento térreo, dentro da área reservada, fica o necrotério. Ali existe uma sala, nela há uma passagem secreta, que  leva à base do heliporto.

Os interrogatórios acontecem nos subterrâneos da clínica. Nesse lugar, equipamentos modernos dão suporte a realizações de experiências, associados à imaginação torpe da mente humana. Alguns métodos herdados de épocas remotas, usadas pelos senhores da barbaria , Império Romano, as Cruzadas,  Inquisição, Nazismo e outros, modernos, tendo o apoio de certos profissionais da área de saúde , tornam infalível os meios de convencimento.

 

Um toque de buzina, em seguida o furgão para. Logo sou seguro por um dos meus acompanhantes e retirado para fora. Escuto vozes. Parece-me que são várias pessoas, algumas cantam músicas usadas em comerciais de produtos que patrocinam e mantém o sistema, outras, entoam cânticos evangélicos e músicas do programa da rainha. Mais tarde soube que aquelas pessoas ali internadas eram familiares dos diretores de emissoras de Rádios, Televisões e Jornais, que colaboram com os sistemas e que ali se encontram em tratamento.

As vozes foram sumindo até não ser mais possível ouvi-las. Nos distanciamos do local. Andamos pari passu mais um pouco e,paramos bruscamente. Uma voz anasalada anuncia:

– Missão diamante retornando. Em seguida um som igual a esses emitidos por máquinas de caça níqueis quando dão prêmio (é a senha para abertura da porta).

Reiniciamos a caminhada. A temperatura baixa me faz entender que estamos em um recinto fechado. Subimos alguns degraus, consigo mentalmente contar, vinte e um. O silêncio é quebrado pelo barulho das solas dos coturnos dos sicários de encontro ao piso. Paramos novamente. Em seguida escuto; pessoas se afastam um ranger de porta e logo depois a batida de um ferro na porta. Um silêncio sepulcral  ocupa todo o ambiente. Anuncia o início da minha solidão.

 

 

-Mais, muito mais, eternamente  Sexy -.

 

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Publicado novembro 7, 2007 por heitordacosta em Livros

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